Homens que abortam - Jornal Fato
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Homens que abortam

O aborto feminino é pauta polêmica


O aborto feminino é pauta polêmica não somente a nível político e religioso, mas está presente nas escolas, nos almoços de domingo e nas mesas de bar. Mas quando vamos discutir, debater, prevenir e punir o aborto praticado por homens? Enquanto se discute em que momento a vida acontece, homens são indiferentes, escondem e ignoram filhos vivos, negando-lhes que o direito a vida seja exercido em sua plenitude.  Homens que deveriam ser chamados de outra coisa que não homens, que deveriam estar fora da vida em sociedade e que, no entanto, são pastores, médicos, professores, escultores, servidores públicos, jardineiros, porteiros, seguranças, empresários, advogados e por aí vai. 

Lembrei desse tipo de gente quando ouvi de um pai que ele havia desistido de um filho e na hora meu pensamento foi a fila imensa de mães que se forma na porta dos presídios aos domingos. Mães que não desistem. Mães que registraram, criaram, alimentaram e que, em algum momento, como qualquer uma de nós, podem ter falhado, mas que não ignoraram seu papel e sua responsabilidade. De acordo com o último Censo Escolar realizado em 2013 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), há 5,5 milhões de crianças brasileiras sem o nome do pai na certidão de nascimento.

"Ah, mas fulano registrou certinho!". Bem, o registro, que para alguns torna fulano bonzinho, é apenas obrigação. Então, lamento decepcionar. Quem não registra está errado. Quem só registra está errado também. E, antes que me rotulem de radical-extremista, eu já esclareço que sim, que existem exceções. E que infelizmente, apenas para tornar o mundo ainda mais cruel, são minoria quando a relação entre pai e mãe já não mais existe. Há casos assim em casais que estão juntos? Sim. Assim como há também mães que são cruéis. Mas os pais que abortam filhos de relações passadas estão em maior número, indiscutivelmente.  

Alguns homens vão acumulando filhos de relacionamentos diversos e demonstram apego e cuidado apenas com o mais recentes, como se os mais velhos fossem uma chuva passageira. Para esses eu só posso dizer que, se para amar um ele precisa deixar de amar outro, então o amor dele não vale nada. Se você tem um celular lotado de fotos e um monte de histórias engraçadas de um ou alguns, e não de todos, você é um bosta. Se você se diz cristão, e pega seus filhos para finais de semana e feriados , mas deixa com os avós, você precisa rezar mais. Bem mais. Se você ignora em que ano da escola ou da faculdade seu filho está, o que ele gosta de comer, com quem ele se relaciona ou até onde ele mora, você é um pai que abortou. Se você desistiu, não abraça causas, sonhos e conquistas, se não luta com ele e por ele, você é um pai que abortou. Se você não se orgulha, não se emociona, não presenteia com um abraço que seja, você é um pai que abortou.

Pais que são pais de verdade, mesmo longe são presentes. Ligam, dizem que amam, são solidários. Pais de verdade que sofrem alienação parental buscam recurso na justiça, na família, em marte ou na lua. Mas buscam. Não se esquivam de seus deveres e nem dos seus direitos. Pais de verdade exercem e ensinam a exercer o que é de verdade uma família. A vida não espera. Então seja. Hoje. Amanhã seu pecado poderá estar consumado. Tarde demais não é tempo de ninguém.

 


Paula Garruth Colunista

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