Olga - Jornal Fato
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Olga

Ah, minha avó! Dentre todos progenitores, a única que usufrui!


Ainda sou capaz de me ver, pequenino, sob a mesa pintada de verde, e a luz opaca, da lâmpada, da sala estar de minha avó, a beliscar, infantilmente, as pernas de alunas de bordado, durante o cair da tarde, quase noite. Ah, minha avó! Dentre todos progenitores, a única que usufrui! Nascida no Brasil, e de origem libanesa, além de tantos detalhes, para minha alegria, encheu minha jornada de tanta sabedoria. Chamava-se Olga, nome que quis dar à minha primogênita. Fui votovencido. Imensa frustração. Costumodizer que minha vida, tal qual os bordados de minha avó, foimarcada, indelevelmente, por mulheres fortes. Nos traços, cujas fisionomia, ainda me recordo tanto. No que diz respeito à vida e seu dilemas. A linha reta e a curva. A honestidade e a beleza. Ah, as mãos de Olga, tinham operfume das laranjas. Minha avó, na verdade, era um pomar que preparava um "arroz commacarrão" incomum. Vivi sobre a esteira de suas estórias e crenças, de que a vida, podia ser, aomesmo tempo, de madeira e algodão. De vez em quando.me surpreendo repetindo seus ditados, hábitos e costumes. Posso dizer, assim, que valeu à penas ter na memorias todas as pontes que construí com Olga, as vidas, que me contou, e as linhas, que hoje se envolvem comigo, em meus sonhos de homem feito, com a alegria de uma criança. Descobri, enfim, depois de algum tempo, com ela, que o amor tinha o aroma dos quibes e uma face, imaculadamente, árabe. Agora, brincominhas verdades, como brincava com suas alunas, para dizer-te amo-te, desde sempre. 

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Um farol acende-se

E ilumina a seara fértil

Onde semeioversos e rimas. Escrever, ensina ventos e firmamentos.

 

Escrever é aliviar-se, amiúde

De todocansaçorude

Livrar-se, de cada espinho oculto, sob a pele da existência.

 

Escrever, não é ler, somente, oque se continha nas linhas paralelas, mas perceber, na sua geometria, o que há entre elas, como.um sol, atrás de colinas, caprichosamente escondido

 

Escrever, é ver-se, alhures, na imagem do papel.

Até que o reflexo, de umsoneto incerto, feito um espelho, fulgure então, sua outra figura, desenhada, pela palavra escrita.

 

Escrever, é imensidão...


Giuseppe D'Etorres Advogado

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