Passagem, rotativo e mobilidade urbana - Jornal Fato
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Passagem, rotativo e mobilidade urbana

Ambas as medidas mexem no bolso da população


"É preciso acrescentar ao modal de transporte alternativas além do ônibus e que sejam mais baratas também" 

Como em todos os janeiros, o preço da passagem de ônibus subiu para empresas que, por força de lei, oferecem vale-transporte aos funcionários e, também, para o cidadão que utiliza o sistema de transporte coletivo por sua própria conta, sem, no entanto, se valer da bilhetagem eletrônica. Outro impacto sobre a mobilidade urbana neste início de ano é a ampliação do estacionamento rotativo na região central da cidade, já em vigor.

Ambas as medidas mexem no bolso da população. Tendem a ser impopulares. O efeito esperado é empurrar novos passageiros ao sistema de transporte coletivo, e facilitar, também, acesso ao comércio, com mais vagas disponíveis para estacionar por curtos períodos.

As ações compõem esforço para mudar o comportamento já culturalmente arraigado de uso de transporte individual motorizado mesmo para os menores trajetos. Já há algum tempo, são executadas medidas - como subsídio e os reajustes anuais - para garantir o equilíbrio financeiro do sistema de transporte coletivo ao mesmo tempo em que se desestimula o uso do transporte individual por meio do estacionamento rotativo.

Entretanto, é preciso pontuar que, apenas dificultar a permanência de automóveis em vias públicas e desestimular sua circulação em dias úteis não é o suficiente. É preciso acrescentar ao modal de transporte alternativas além do ônibus e que sejam mais baratas também. Mas, as medidas que facilitem o exercício do direito de ir e vir, como a construção de ciclovias e calçadas cidadãs, por exemplo, não avançam na mesma velocidade do rotativo.

Andar, a pé ou de bicicleta, são atividades não poluentes, que contribuem para aliviar o trânsito e, principalmente, saudáveis, ainda mais nos dias de hoje, em que qualquer tipo de aglomeração deve ser evitado, mesmo dentro de ônibus.

Caminhadas e pedaladas têm se incorporado ao dia a dia do cachoeirense com adesão espontânea, mesmo que as condições para a prática não sejam as ideais numa cidade muito quente, de muitas ladeiras, pouca iluminação pública e nenhuma proteção ou prioridade a pedestres e ciclistas.

Em janeiro completou um ano desde a publicação do Plano de Mobilidade Urbana (Planmob), que prevê a implantação de 28,32 km de ciclovias ou rotas preferenciais para ciclistas, ruas exclusivas para pedestres e a valorização de caminhada em trajetos curtos, para o que se faz necessário melhorar as condições para as viagens a pé. Em outras palavras, boas e acessíveis calçadas e travessias.

Mesmo que estipule prazo de 2 a 5 anos para a implantação dos primeiros trechos amigáveis aos mais vulneráveis no trânsito, essas deveriam ser prioridades pois o próprio plano tem como diretriz priorizar o transporte não motorizado sobre o motorizado e o coletivo sobre o individual.

É hora de caminhar (ou pedalar) nessa direção.


Wagner Santos Diretor e editor Jornalista

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