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Prolixo

A linguagem, com os vários idiomas e dialetos, além da riqueza cultural e histórica de um povo


A linguagem, com os vários idiomas e dialetos, além da riqueza cultural e histórica de um povo, permitiu, e permite, a perfeita comunicação e o avanço da humanidade. Algo que somos solicitados a melhorar a todo instante. No trabalho, nas escolas, nas empresas, entre os casais, na política, no governo... O sucesso depende de uma boa comunicação. Na comunicação adequada alcançamos a informação de qualidade. Uma arte que alguns aprendem; outros apresentam naturalmente.

Dia desses fui surpreendido, ouvi: Sergio, não seja prolixo. Estava ao telefone e o observador ao meu lado. Lembrei do tempo de faculdade. Certa vez fui chamado à atenção por um colega de Escola: diminua a prolixidade. Na ocasião, não atentei para o fato. Acho que não entendi a observação e não sabia se a prolixidade ajudaria ou não na profissão. O tempo passou e retorno ao tema. Prolixo: palavra derivada do latim, algo extenso, longo. Pior, tediosamente extenso e cansativo pela grande quantidade de minúcias inúteis, supérfluas. Bem... Pensei, eu achava que agradava, estava sendo atencioso e facilitava o entendimento. Na verdade, será isso chatice? Tudo leva a crer que sim: no passado e por duas vezes no presente. Duas vezes, recente: em casa e no hospital. Será o envelhecimento?

Bom... Parece que em tempos atuais as pessoas perderam a paciência. Exigem a laconicidade. Pedem: seja breve. Lacônico (muito breve, ao falar ou escrever; seja de poucas palavras). Um quase, não me canse. A paciência já não se encontra no consultório médico (não podemos mais chamar "pacientes").  Perguntam: "Doutor, o que tenho?" Um diagnóstico definitivo deve ser feito de pronto. Algo, muitas vezes, impossível. Os sinais e sintomas de uma doença podem não aflorar de imediato. Necessitamos aguardar. Em procedimento cirúrgico, uma cirurgia plástica, é exigida a perfeição. Muitos não aceitam esperar pela cicatrização, não querem guardar o repouso necessário, desejam retornar as atividades diárias e rotineiras, desejam uma cura instantânea. As pessoas têm pressa. Cada vez maior. O tempo de convalescência não é respeitado e guardado. O tempo tornou-se um instantâneo. Instantâneo na imagem, no diagnóstico de uma doença, na cicatrização de uma ferida cirúrgica, nas respostas... Como na maioria das vezes não as temos, tornamo-nos ansiosos.

Devemos ser concisos: termos mais próprios e significativos, sem redundâncias; sucintos: apenas ideias essenciais, sem pormenores. Mas, nem sempre é possível agradar. As pessoas, em sua correria diária, mudam de humor - ora desejam as explicações minuciosas; em outros momentos, de um mesmo dia, nada querem ouvir. Os que explicam se cansam. Tornam-se lacônicos, palavra derivada do grego, dos espartanos - do povo que discursava brevemente. Assim: um recado deve ser lacônico, conciso e sucinto. Pena, com o passar dos anos, o medo de errar, ou não se fazer entendido, nos deixa totalmente diferente dos guerreiros espartanos. Com o cansaço dos anos de vida, na comunicação, nos aproximamos de um veterano de guerra.

 

Sergio Damião Sant'Anna Moraes

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Sergio Damião Médico e cronista

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