O drama dos acumuladores digitais: você pode ser um(a) - Jornal Fato
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O drama dos acumuladores digitais: você pode ser um(a)

E justamente em uma sociedade que vive dependente das redes sociais esses casos tendem a aumentar


 

Ramon Barros

Milhares de e-mails não lidos. Centenas de mensagens instantâneas que vão se somando aos torpedos, messenger, direct e outras formas de interação digital. Muita gente olha o computador aberto com todo esse "lixo" e nem tem ideia de como organizar sua vida digital. E pior: nem sabe para que acumula tanta informação.

Quando se fala sobre a acumulação digital como o "acúmulo de arquivos digitais a ponto de o indivíduo perder a perspectiva, o que acaba resultando em estresse e desorganização", pesquisadores atestam que essas ações podem ser um subtipo do distúrbio da acumulação compulsiva - algo que até 2013 era considerado um sintoma do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Grandes nomes das pesquisas digitais são unânimes em dizer que a maioria das pessoas não se desfazem de arquivos "achando que podem ser úteis no futuro". E alguns chegam a organizar pastas com fotos que nunca são abertas.

Já as pesquisas apontam um dado positivo: os acumuladores digitais têm consciência desse lixo, o que as estressam profundamente. Pesquisas recentes publicadas em 2018 mostraram que esse sentimento de culpa é mais ligado a não saber o que fazer com todo esse lixo do que juntar esse material. Essa falsa segurança de que tem alguma coisa protegida e que pode usar em algum momento, que nunca chega.

Mas como ter noção se temos esse perfil de acumulador digital? Pense na sua última semana e procure lembrar de algum momento em que teve muita dificuldade de encontrar um arquivo no seu smartphone ou no computador. E-mails, fotos, vídeos e até uma postagem nas redes sociais: tudo que for um tormento para encontrar pode ser um indício de problemas.

E justamente em uma sociedade que vive dependente das redes sociais esses casos tendem a aumentar. Não é raro profissionais guardarem "prints" de postagens ou conversas nos mensageiros para "usar se precisar", geralmente ligados a uma teoria de proteção.

E os mesmos indicativos de problemas se refletem na vida real do indivíduo. Evitar se socializar, não interagir no mundo de verdade, conversando, se divertindo e agindo como um "ser humano saudável" são sinais de que o mundo virtual tem dominado nossa mente, corpo e espírito.

Jo Ann Oravec, professora de tecnologia da informação e educação empresarial na Universidade de Wisconsin-Whitewater, nos EUA, afirma que o acúmulo não é necessariamente quantidade de informações que os indivíduos vão guardando. Porém quando mantemos um "senso de controle sustentado empiricamente" sobre esses dados. Enquanto essa consciência existir, não se trata de acumulação.

Porém guardar memórias digitais e virtuais pode ser muito útil. São a vida das pessoas, sua história, sua trajetória de sucesso, perdas e superações. Esses dados nos fortalece a cada visita consciente e equilibrada e muitas vezes nos coloca em sintonia com a nossa essência. E como a tecnologia nos dá essa ajuda, por que não utilizar como algo bom e que ficará para as outras gerações?


Ramon Barros Colunista Ramon Barros é profissional multimídia

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