SOS Córrego Amarelo - Jornal Fato
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SOS Córrego Amarelo

Trata-se do córrego que atravessa o Bairro São Geraldo


Trata-se do córrego que atravessa o Bairro São Geraldo. Apaixonei-me por ele no momento que o vi, foi amor à primeira vista, e com o tempo fui descobrindo suas mazelas, de vez em quando jorram óleo ou outras imundícies diretamente no córrego, como o ocorrido no dia 2 p.p. e permanentemente as águas se tornam escuras, efervescentes e com odor fétido. Desde que nos instalamos às suas margens já apresentamos denúncias ao Ministério Público, a Secretaria de Meio Ambiente, a Citágua, a Foz do Brasil, a Odebrecht e atualmente a BRK Ambiental e a imprensa. Quando os esgotos jorram imundícies na água comunicamos à concessionária, para que as medidas sejam tomadas para sanar o problema, mas as ações são sempre paliativas.

O mestre Rubem Braga, que residia à margem do córrego, temia pela sua extinção, e sinto-me motivada a responder-lhe: Caro Rubem, o córrego não morreu. Não possui hoje o volume de água da sua infância. Não se pescam mais piabas, nem carás, nem moreias, peixes miúdos raramente atravessam suas águas, poucas vezes límpida, em geral encontra-se tão imunda que até as garças desapareceram do entorno.

Com o progresso e as construções, o córrego a partir do Paraíso atravessa o Amarelo e deságua no Rio Itapemirim - na altura do Centro Operário, através de tubulações. Cobriram o pobre córrego com prédios, cimento e asfalto. Assim como cobriram quase todo o verde da Ilha da Luz e que, felizmente, já existe projeto para sua revitalização. Recorro portanto a quem de direito: - salvem o córrego do Amarelo antes que definhe e morra. Peço aos Senhores Vereadores, à Associação de Moradores, e aos órgãos competentes do Poder Público, fiscalizem, autuem, unamo-nos na luta contra quem está desrespeitando o maior bem que a natureza nos oferece que é a água.

O que podemos garantir é que não descansaremos enquanto não encontrarmos solução para o grave crime ambiental que acontece no Bairro São Geraldo e que consequentemente afeta toda a cidade, afinal o córrego deságua no Rio Itapemirim e é para lá que o óleo queimado, o lixo e os detritos estão sendo atirados, poluindo a água e destruindo a fauna e flora. Nos resta uma nesga de esperança enquanto as águas do Amarelo correrem a céu aberto pelo São Geraldo. Mas até quando?

 

Marilene De Batista Depes

 

 

 

 


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