D. Izis, a educadora de lindezas - Jornal Fato
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D. Izis, a educadora de lindezas

Chego cedo. Desde sempre foi assim. Durante três décadas, no serviço público


"Tendes em mi um novo engenho ardente??

Se sempre, em verso humilde, celebrado??

Foi de mi vosso rio alegremente..."

Luiz de Camões.

"Os Lusiadas"

 

Chego cedo. Desde sempre foi assim. Durante três décadas, no serviço público. Alço quatro lances de escada, lá no prédio, do centro, e então estou na procuradoria, onde trabalho, ocupando cargo de procurador. Depois de horas, entre a miríade de pareceres e processos, concluo, me vou. Embaixo, porém, permaneço pouco mais, no passeio público. Dali, contemplo gente da minha terra, e converso com amigos, antes do caminho de casa. Dia desses, ao longe, avisto a mestra, a quem, por respeito, com justa antecipação, trato por: dona. Dona Izis. Izis Azevedo. Educadora emérita, de educandários citadinos. Filha do saudoso Reverendo Jader. Também grande entusiasta do "ateneu cachoeirense", e inúmeros educandos. Passos curtos. Lentos. Ao seu lado, vislumbro, o idioma magnífico. A língua pátria. O português que sempre bem compartilhou. Quiçá, também, Camões! Quando o amor é verdadeiro, inexiste sofrimento! Eis o grande segrêdo, clareando irradiante simpatia de dona Izis, mulher, mãe luminosa e avo coruscante! Professora! Uma, dentre tantas, especialmente apaixonada, pela razão maiúscula - educar, sentido lato. Aproxima-se, discreta e, elegantemente, cumprimenta-me. Indaga sobre Solange, a esposa; e, então, a fragrância irrompe sua'alma, advinda do pequeno corpo, de sublime coração e enorme inteligência. Apraz-me o contacto, malgrado pouco. O sorriso leve, feito pluma, paira no ar.  Alguém a saúda. Divindades magnetizam, especialmente egípcias. Então, delicadamente, despede-se e segue, levando o céu das letras, e um rastro aromático, de verbos e predicados. Vejo afastar-se e me regozijo. Reencontrar dona Izis, feito o espelho, refletiu-me o dicionário e vernáculos, bem a importância dos significados e significâncias, pontes, gloriosas, a unirem, e eternecer, tal qual a mestra perene, com linguagem, à celulose, ainda alva, no bôjo dos cadernos, das salas de aula. Indo para casa, reflito a benção da educação, e recordo do ditoso vocábulo: amor.

 

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Devagar. Assim, como pairando no ar

A pluma delicada

Com a palavra, baixa

Escutando a longa alma

 

Acalmando a imensa onda

A tormenta próxima, acalentada, em paz, se desfaz.

 

Suavemente, na mordida do fruto, deixando úmidos os lábios, ávidos do beijo.

 

As cores, presas na antiga parede, desprendem-se para a nova e fresca, na madeira diferente.

 

Então, dessa maneira, a tez alisa-se, e se afina com água a escrever o sorriso, na face iluminada.

 


Giuseppe D'Etorres Advogado

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