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A chuva cai lá fora. O vento está carregando as folhas secas caídas no chão e levando para lugares desconhecidos


A chuva cai lá fora. O vento está carregando as folhas secas caídas no chão e levando para lugares desconhecidos. Eu parei na janela para apreciar esse fato. São vários pingos caindo numa velocidade incrível que tocam o chão e o molham. Isso, misturado aos ventos, dá um grande fenômeno, não há o que negar.

E o, mas interessante, foi que observando a chuva chegar, pude notar que havia um formigueiro perto da árvore, e que de alguma forma as formigas sabiam muito antes de mim que a chuva estava chegando, e então começaram uma "correria" para voltarem a sua casa. A maneira que agiram dali em diante foi incrível.

Estavam preocupadas e ansiosas para retornarem ao seu lar. E mesmo assim, nesse contratempo, uma ajudou a outra. O individualismo naquela situação, não existiu, o medo sim, porque sabiam da sua fragilidade e que uma gota de chuva, as mataria. Mas, apesar disso ninguém foi abandonado. Arriscaram-se pelas companheiras e companheiros.

Atitude grandiosa que impressionou. Impressionou porque não é de costume ver umas cenas dessas. E muito pelo contrário, vemos as pessoas que fazem de tudo para chegar ao topo, passando por cima de tudo e de todos sem pensar nas consequências ou ao menos pensar no outro. Por que não, isso não está nos seus planos.

Por isso, somente por um dia se fosse possível trocar de papeis, veria que a força que tanta esbanja ter, não é de nada, sem sentimento. E que a magnitude está nas simples ações, no ato de preocupação e que ajudar os outros faz um bem danado. Quando conhecemos o lado oposto da situação, tudo muda. Até aquele lado que apontava ser o mais frágil, demonstrou que não tem nada de frágil e que possui uma força imiscível.


Caroline Fardin Araújo Professora de Língua Portuguesa

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