Marlene e Olga - Jornal Fato
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Marlene e Olga

Hoje, vasculhando os salões da memória, lembrei-me, com doce nostalgia, de duas mulheres


Digo sempre que, para escrever, preciso impressionar-me, e impressionar-me de tal maneira que a sugestão da impressão, por consequência, seja o resultado da escrita. Hoje, vasculhando os salões da memória, lembrei-me, com doce nostalgia, de duas mulheres: a primeira, Marlene, minha mãe.

A segunda, Olga, a avó, mãe de minha mãe. Ambas, educadoras. Ao lembra-las, ao mesmo tempo, lembrei das lutas de cada uma e da grande luta que consiste em educar. Verdadeiro sacerdócio! Em tempos imemoriais, o conhecimento. Limitava-se ao alcance de alguns poucos. Inexistia o processo educacional, nem haviam educadores. Com o perpassar dos séculos, o processo avançou, surgindo as primeiras escolas, ministradas por religiosos, até os dias atuais em que encontramos na figura da professora, o fio condutor de toda maravilhosa dinâmica. Aprender é genial. Ensinar é divino. O "be-a-ba" celestial que entroniza as mentes na seara grandiosa das ciências. Os países mais evoluídos, como é de se ver, prosperaram porque investiram e investem muito na educação. Nos regimes democráticos, é de capital importância. Bendita a criatura diante da lousa. Benditas as mãos que semeiam os livros. Bendita a voz que espalha o conhecimento. Benditas sejam Marlene e Olga. Bendita a educação. Salve as educadoras que desobstruindo os grilhões de toda ignorância, aliviam e fomentam a grande luz do conhecimento.

 

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Minh'alma, um tanto barroca, esculpida na pedra, ainda respira a tinta poida, nas fagulhas de letras escritas, a priscas eras.

 

Agora, na esfera nova de uma nova espera, imensa, dançam outras letras, eternas e contemporâneas, que não amam o trema abolido, nem os gemidos de todos lamentos ortográficos, quando canto, meu idioma, advindo de outras línguas.

 

Ecoam as letras sobre as planilhas brancas, gravidas de palavras a serem redigidas, para que a literatura não seja escassa, e além da gravura e do fonema, dos signos, de tudo, que a literatura resista no poema e no romance, como certeza de que seu horizonte, posto na escrita, jaz infinito.

 

Escrevo e me vejo enorme. Escrevo e me vejo pequeno. Latejo. Não é um caso de mesura, mas visão, daquilo que sou, depois do símbolo, conforme veio tudo aquilo, que jamais foi escrito.

 


Giuseppe D'Etorres Advogado

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