Cenas do cotidiano e a maldade alheia - Jornal Fato
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Cenas do cotidiano e a maldade alheia

Aceitar que o outro pode pensar diferente sem que isso faça dela uma pessoa ruim


Uma militante de esquerda tira foto com um político eleito e de direita. As pessoas atacam os dois personagens, cada um de uma forma, como se um crime estivessem cometendo, quando, na verdade, só estavam convivendo pacificamente no mesmo espaço. Porque maturidade é também isso. Aceitar que o outro pode pensar diferente sem que isso faça dela uma pessoa ruim. Isso sem contar que a coragem de assumir uma posição sem medo de represálias ou opinião contrária é algo que incomoda. A liberdade incomoda quem não tem a coragem de ser livre. O respeito e a aceitação das diferenças incomodam quem não respeita a si mesmo. A liberdade incomoda aos escravos do desgosto e do medo.

Uma mulher tem um casal de amigos e eles se dão muito bem. Conversam sobre tudo, bebem juntos, riem e concordam em vários pontos. Mas essa mulher, antes sozinha, conhece alguém. Até aí tudo bem. A questão é quando esse alguém passa a ser uma pessoa especial na vida da mulher. E, juntos, eles vivem uma história de amor. Aquele casal passa a mentir, inventar histórias e propagar o mal a fim de prejudicar os amigos. Casais amargurados não suportam a felicidade alheia.

Uma mulher tem muitos seguidores nas redes sociais. Seu trabalho é ser influencer e ela tem carisma para a coisa. Divulga marcas e estabelecimentos, faz eventos e suas opiniões inspiram muita gente. Uma outra mulher comenta: "Ah! Mas para ela é fácil! O marido é rico!". Mulheres amarguradas não reconhecem e nem querem reconhecer e aplaudir o sucesso de outras mulheres. Mulheres infelizes riem de piadas misóginas, criticam mulheres que não são escravas de padrões impostos. Mulheres que enxergam a luz uma das outras são bem resolvidas e de bem com a vida. Aquelas que ainda caem na armadilha de achar que a vida é uma competição estão fadadas ao fracasso.

Uma colega fez uma plástica depois de dois partos seguidos. Era a vontade dela e uma forma de sentir-se melhor. O procedimento deu certo e ficou perfeito. E ela, superfeliz. Acontece que duas de suas melhores amigas se afastaram, não elogiaram, não tocaram no assunto e fizeram inúmeros comentários infelizes entre elas. Pessoas mal resolvidas não suportam a realização das outras.

Observando, mesmo que apenas pelo raso, nos damos conta do quanto o mundo anda doente. A vida do outro só é interessante para quem já perdeu o interesse na própria vida. Então, para aqueles que se abalam com a felicidade, o sucesso, a beleza ou a realização do próximo, eu só posso desejar que comprem um livro, façam uma viagem, encontre amigos, assistam um filme, contemplem a natureza, acalmem o coração. Para quase tudo há uma solução, mas um coração corroído pela mágoa, pela inveja e pelo ódio dificilmente retornará ao estágio de amor pleno. Perdoe-se por seu mau humor crônico e sua vontade de ser outra pessoa e vai viver. Mas vai viver a sua vida. Seja leve e atento somente ao que te diz desrespeito. E aceite que cada grama tem um verde diferente.


Paula Garruth Colunista

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