Professor é Para Sempre. DT é o Político - Jornal Fato
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Professor é Para Sempre. DT é o Político

Professor concursado é para a vida inteira


Impressionante o mau tratamento que se dá aos professores nas últimas administrações municipais de Cachoeiro, inclusive a atual. Se se contar a quantidade de professores efetivos, aprovados em concurso público e empossados, nos últimos dez anos, na prefeitura de Cachoeiro, ver-se-á que são muito poucos em comparação ao quantitativo de professores sem concurso, admitidos temporariamente.

Professor concursado é para a vida inteira; vai acumulando conhecimento ano a ano, ao par do natural crescimento de sua qualidade e salário. O professor em designação temporária nem pensa em ter aumento ou permanência no serviço. Por isso, pela lógica natural, encara a sobrevivência digna para o outro ano não na escola onde está, mas naquela futura, onde terá chance e justiça de crescer.

Examinando com cuidado, ver-se-á muito abuso na criminosa invenção de não deixar o professor crescer na escola em que se encontra. É mais que abuso, quando se sabe que a carreira de professor deve ser carreira mesmo, se possível na mesma escola.

O professor deve ser admitido em concurso público, diz a Constituição Federal. Deve estudar a vida inteira, pertencer, sempre que possível, ao mesmo estabelecimento escolar, para formar laços com os alunos da escola, com a escola do bairro e com os moradores do bairro. Professor não é profissão qualquer, pela qual se passa de uma para outra escola até que, experiente, assuma escola que pague salário digno. Professor é muito mais. A cada ano ele aumenta sua experiência e só pode aumentá-la e aplicá-la em favor da estudantada, se tiver segurança no emprego. A segurança do emprego é a segurança do aluno, e aluno, caro leitor, são os meus, os nossos filhos e netos.

Obrigatório pagar salário justo ao professor; salário justo significa que o salário crescerá no decorrer do tempo, tempo de serviço do professor. E só há "decorrer de tempo" para professor concursado. Ao submeter o professor a bestial quadro de DT (designação temporária), além de ofensa desumana a quem não merece - alguém merece? - só serve para diminuir inconstitucional e desonestamente o salário desses profissionais, sem contar que tal diminuição "permite" que prefeitura compre milhares e milhares de litros de leite ao preço "barato" de R$ 3,52 a caixinha de um litro. Barato é a...

Escrevo transtornado, ao ver professores humilhados pela prefeitura de Cachoeiro, pagando-lhes salários miseráveis, tratando-os como temporários e descartáveis, fazendo-os legitimamente vir às ruas protestar. É o que aconteceu nesta semana e haverá de se repetir.

 

EXPOSUL 2019 - Em Cachoeiro

Garanto que você irá gostar muito - terá um ótimo fim de semana.

Ainda dá tempo de fazer uma visita à EXPOSUL 2019, que está sendo realizada no Parque de Exposições de Cachoeiro. Neste sábado, 13 de abril, quando circula esta revista e este jornal, a EXPOSUL funciona de 9 às 22 horas, e no domingo, 14 de abril, funciona de 9 às 18 horas.

Lá tem de tudo o que se refere à agricultura, à pecuária, aos produtos da terra, como produtos agropecuários, flores, doces, etc., artesanatos da melhor qualidade e de múltipla origem, muito bem selecionados de gente do Sul do Estado. E tem muitas escolas públicas e privadas por lá, dando experiência e visibilidade a elas, aos seus alunos e professores.

Tem até pequenos shows e apresentações musicais, também com gente da terra, modestamente pagos (Aliás, a prefeitura deveria inovar de vez, entregando, como fez na Exposul, a condução dos trabalhos de organização dos eventos à iniciativa privada que entende do evento. No caso, o Sindicato Rural - a prefeitura gasta menos e certo e a sociedade se sente mais e certa também. As fotos são dos "meus" Cafés na EXPOSUL).

 

O Telefone é a Chave para o Desconhecido

Hércules Silva

Alguém telefona e você atende desesperado e sem jeito. Não sabe quem está ligando, desconhece este número. Nem espera que alguém ligue, é uma daquelas chamadas inesperadas em que tudo está em jogo: a saúde de um familiar, o imprevisto de uma pessoa que deveria te encontrar, a hipoteca de casa e uma futura dor de cabeça (a mais antiga e previsível de todas, na verdade)...

Em suma, você atende. Ninguém responde.
"É do presídio!", o mais próximo vivente vai provavelmente te dizer, e será aceitável pra você, portanto o mais certo.
Mas o que não se espera: o telefone toca outra vez, e é o mesmo número.
A partir daí, tal telefonema e telefonador são tidos por insistentes.- "Esse indivíduo é diferente, é doente, anormal", você diz pra si mesmo, todavia ignora até que o tal se canse, afinal não deve na praça, então não há com o que se preocupar. Até aí tudo está normal. Ligações são ligações. Você atende ou não, o poder de escolha é seu, esta é a glória do livre-arbítrio.

Só que há algo estranho demais nesta situação. Por que é que está suando e suas mãos estão geladas se sua consciência é absolutamente limpa?

As pessoas costumam agir com confiança demais. Elas atendem ao telefone com muita pressa e pouco questionamento.

Antigamente sabia-se que uma pessoa transferia as ligações para seus devidos destinatários. Hoje, há tanta burocracia que é possível que essa pessoa tenha desistido de desempenhar sua função por haver telefones demais por aí.

As ligações passam (ou são transmitidas) por antenas e satélites; e onde entra uma telefonista nisso tudo? Certamente não entra. Nem sai. Fica dentro, está presa dentro dos telefones com as vozes gravadas de um jeito mecanizado e de última geração, que nem é simples assim de se entender.

Pela trigésima sétima vez o telefone vibra no bolso, e intrigado ele o atende: - Escuta aqui, engraçadinho...! - está inclinado a ser bem hostil a ponto de ser só um tantinho deselegante.

Mas do outro lado há um barulho, um som deveras familiar de respiração arfante e o tic-tac de um relógio. Seu pensamento primeiro é o de que seu tempo é curto, e ele não está errado.

Sete dias mais tarde, ao passar de carro por aquele mesmo ponto onde conversara com seu amigo pessimista, recebe ele uma nova outra ligação.

Morreu no seguinte instante, por imprudência.

 

 


Higner Mansur Advogado, guardião da cultura cachoeirense e, atamente, vereador

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