A reinvenção do café - Jornal Fato
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A reinvenção do café

Esta semana abusei literalmente do café


Esta semana abusei literalmente do café. Mais propriamente, comprei todas as revistas GLOBORURAL que encontrei nas bancas de Cachoeiro - onze, para ser mais exato e estou à procura de mais. Guardei uma revista pra mim e as outras dez distribui para pessoas que achei interessadas publicamente na matéria de capa - faltou revista para atender a demanda de amigos que tracei.

A matéria de capa, que me atraiu, chama-se "Café para todos os gostos", e no interior da revista está como "A reinvenção do café". Densa matéria distribuída em oito páginas, inclusive com fotografias de cafezais e cafeicultores do Sul do nosso Estado.

Há algum tempo já havia aprendido com o agora Deputado Federal Evair de Mello, de profissão técnica "provador de café" que o que importa não é quantidade do café colhido, e sim a qualidade do café distribuído ao consumo. O preço da qualidade do café, como de tudo, aliás, é muito maior do que o preço da quantidade dele.

A lição que Evair me deu, ainda antes de ser deputado, foi fundamental para eu alcançar as verdades da revista GLOBORURAL, que estava nas bancas de revistas de Cachoeiro.

A matéria da revista é ampla em dar visibilidade ao Sul do Espírito Santo, também, principalmente Muqui e o Caparaó capixaba, além de outros municípios próximos. Quem ler a matéria ficará craque e se alguém quiser cópia xerox, não terei problemas em conseguir e passar.

Mas o que tem isso com essa página de jornal?

Tem tudo, vez que o café está na origem de nossa história cachoeirense e sulina. A colonização, nos séculos anteriores, foi feita com a gente que veio de fora, e hoje é daqui - nossas famílias e nós mesmos, em maioria. Da história e da colonização, veio a nossa riqueza, muitos de nossos empregos e muito mais. Daí, a partir da qualidade, e não da quantidade da produção cafeeira, veio até mesmo uma indústria atualíssima e limpíssima, o turismo, que alcançou nossas praias e hoje se espraia beira-rio e montanhas acima da Região Sul do Espírito Santo.

Ao tradicional Café Campeão, de Cachoeiro, claro, que a cada dia se aperfeiçoa em qualidade, já passando para a quarta geração de seus proprietários, veio se juntar cafeterias importantes - o Mourads, o Café na Tuia, o Cheirin Bão e, agora, o Esquina Café, ali na esquina da Rua Dona Joana com a Rua 25 de março que, aliás, será inaugurado nesta segunda-feira, 07 de outubro. Eu estarei lá. Devo ter esquecido alguma cafeteria e já sei que há outras se instalando no Meu Pequeno Cachoeiro.

Voltando a revista GLOBORURAL, que aconselho leitura urgente dela, vai aqui texto dela, que resume bem o que quero diz, já adiantando que tem muito mais na revista:

-"O economista José Roberto Mendonça de Barros lembra que o café tinha consumo restrito porque era considerado uma bebida para pessoas mais velhas. Os jovens apreciavam bebidas gaseificadas, como os refrigerantes, e por isso a perspectiva para o futuro da cafeicultura não era das melhores. Duas inovações, porém, mudaram o curso da História: o desenvolvimento da máquina de café expresso, pelos italianos, no final da década de 1940 e o surgimento das cafeterias no mercado americano".

"À grande variedade de aromas e sabores propiciada pelas máquinas de expresso e o fato de as cafeterias se apresentarem como um espaço de descontração para consumo do café fora do trabalho começava a atrair os jovens. Houve um rejuvenescimento do consumo e, portanto, do produto e sua apresentação", afirma José Roberto".

É isso que agora chega, pleno, a Cachoeiro e ao Sul do Espírito Santo - é a reinvenção do café.

 

1000, Ops, São 1500

Em 30 de julho de 2009, escrevi e publiquei a seguinte crônica no SETE DIAS:

- "Estou no SETE DIAS, sem falhas, desde o nº 742, agosto de 2004, cinco anos neste mês. Para esta crônica 1000, andei pesquisando meus arquivos, buscando crônica que sintetizasse minha relação com o semanário. Achei-a na crônica que escrevi para o número 900 do SETE DIAS, á qual intitulei "Rumo ao nº 1000". O primeiro e o último parágrafo da crônica 900 estão redigidos assim:

"Com o passar dos anos, mais propriamente, com o passar dos números, o SETE DIAS vem ocupando uma distinção e um lugar poucas outras vezes ocupados pela imprensa (revista) do interior. Vai se tornando um objeto de desejo, algo que as pessoas se acostumaram a esperar e esperam ansiosamente pela chegada a cada sábado, sem falha, na certeza que ele vem".

"Que Deus dê a Joacyr saúde e vida, para que o número 1000 seja comemorado em grande festa. Que Deus abençoe Cachoeiro, para que ele cresça de maneira constante e equilibrada, permitindo ao SETE DIAS continuar a levar suas boas fotos e boas notícias ao conhecimento de todos".

Acho que acertei, mas acho que construí o acerto em cima do óbvio. Por mais que falem que o sucesso é construído em cima do simples, não há como nos acostumar com a ideia, exceto quando ela está pronta, provada e demonstrada. É isso. A simplicidade de Joa continua imperando no SETE DIAS e o SETE DIAS vai cumprindo sua alegre e importante rotina de pousar nas casas dos leitores, semanalmente e sem falha.

O nº 1000 é um feito e tanto. Com essa longevidade, fico me perguntando qual é a importância principal desse veículo da imprensa de Cachoeiro. Acho várias, sempre, a começar por ser um jornal revista que nos anima a começar bem a semana; que traz, sempre, novos e bons fatos; que traz começos e recomeços de muita gente; que traz recordações de tempos felizes; enfim, que preenche muito bem preenchidos vácuos que precisam ser ocupados, para que cada um de nós tenha facilitada sua porção felicidade.

E na época em que a notícia circula rápida e a resposta é quase instantânea, eu, simples cronista deste órgão milenar, descubro definitivamente uma outra grande qualidade do SETE DIAS: ele é o grande divulgador das coisas que acontecem em Cachoeiro, para os cachoeirenses que estão lá fora. Pode parecer óbvio, mas viver isso não é óbvio. Sentir isso, quando dizemos para o amigo que não se vê há anos: "Puxa, tem anos que não te vejo" e ele responde: "É verdade, mas eu te vejo toda a semana, no SETE DIAS". E derrama-se em lembranças da terra, em histórias que viveu, na vontade de estar aqui, no desejo de acompanhar, mesmo longe, os sucessos da terra e, por que não ser justo e triste, até uns atrasos que andam acontecendo por aqui.

Boa semana, leitor. Semana que começa com esse gordo SETE DIAS, pleno de novidades, pleno de recordações, pleno de alegrias. Que a alegria maior com a qual foi composto o SETE DIAS 1000, se espraie por todos nós, e que o Joa continue a nos trazer, com sua simplicidade e competência reconhecidas, as notícias da cidade. Muito obrigado, leitores. Muito obrigado, Joa. Parabéns, SETE DIAS" (aqui termina a crônica minha do SETE DIAS 1000).

E aqui começa a minha crônica sobre o SETE DIAS 1500, 10 anos e dois meses após a crônica aí de cima. Como sempre, escrita com o coração, vejo que nada tenho a acrescer. Tudo o que disse no 1000, mantenho no 1500, e me sinto muito honrado de ainda estar lá (e aqui, nesta página, claro).

E nada tenho a acrescer, pois, aqui e agora, estou tendo a impressão de que - na crônica de 2009 - aproximei-me bastante da perfeição da escrita, sem exagerar e sem diminuir - falo do elogio sincero a quem merece: - Joacyr Pinto.

E hoje só posso acrescer a admiração que mantenho por Joacyr, e que só aumenta, principalmente agora que ele se torna - acho que sim - o mais longevo de nossos dirigentes de jornais e revistas. Sempre com a mesma garra, com o mesmo bom interesse, com a mesma camaradagem e, até mesmo, com as mesmas brincadeiras - e seriedade - com as quais ele nos honra no nosso dia a dia.


Higner Mansur Advogado, guardião da cultura cachoeirense e, atamente, vereador

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