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Legião de Imbecis

A cada dia confirmo a impressão de que a paixão não é boa conselheira


A cada dia confirmo a impressão de que a paixão não é boa conselheira. A partir dela, mata-se ou morre-se. As pessoas compram brigas que não são suas e destilam ódio em cada palavra e atitude. Cada gesto é para provar que um grupo é melhor que o outro, quando a minha impressão é que existem apenas bobos úteis. Todos que legitimam as sandices de um e outro lado, como se relevantes fossem, são usados para propósitos nada republicanos.

Discute-se por dias a fio factóides que são apenas para mudar o foco, quando a corrupção e os desmandos correm soltos. São cortina de fumaça para encobrir ações nocivas que prejudicam a todos nós, pobres mortais que não somos protegidos pelas benesses reservadas aos que possuem principalmente poder político. A esses tudo. A quem não está nesse círculo, estão reservadas as dificuldades e as exclusões que elas provocam.

 Cansei das línguas afiadas que cortam mais que navalhas, sem dó nem piedade. Sem pudor ou culpa. Basta navegar, mesmo que brevemente, pelas mídias sociais. E preciso confessar. Não aguento mais o país dividido por pseudo-paladinos da moralidade, que passam longe da ética e da retidão. Que se acham acima do bem e do mal. Que podem tudo. Mas são lixo tóxico que vem matando o povo brasileiro de fadiga, desespero ou inanição há muitos anos.

Então juntam-se os bobos úteis, como se pertencessem ao grupo dos detentores do poder. Estamos fazendo nossas as palavras que destroem, por acreditar em sonhos e planos que não são nossos.  Já vi esse filme. Inúmeras e repetidas vezes, com uma ou outra mudança no roteiro. Desde quando não havia a eficiência produzida pela internet.

Em novos tempos, as redes sociais e suas postagens agressivas e carregadas de ódio estão aí para provar isso e divulgar mentiras como se verdades fossem. São pessoas que frequentam igrejas variadas, se dizem cristãs, mas destilam veneno a cada postagem. O impressionante é que defendem com unhas e dentes políticos acusados de corrupção. Compram dores que não são suas. Os valores que abraçam só existem na imaginação. São movidas pela emoção. Pela paixão que cega. De fato cansei.

Precisamos, pelamordedeus, manter o senso crítico. Ele dói, faz sofrer, faz enxergar as entrelinhas, o que não é dito, o que é escondido pelo jogo de compadrio que acoberta privilégios que lesam a nação brasileira. Que tiram a esperança do povo que gera as riquezas desse país. Com muito suor e trabalho exaustivo.

Bom seria acordar e não ser inundada por mensagens de ódio e mentiras travestidas de razão.  E já que não dá para exercer a abstração, e sabendo que a alienação também não é boa conselheira, tento manter aguçado o senso crítico, aquele que realmente dói e provoca reflexões tristes e leva a conclusões dolorosas.

É o que temos para hoje, num tempo em que "as redes sociais deram o direito à palavra a uma legião de imbecis que antes falavam apenas em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade", repercutindo as palavras do filósofo italiano Umberto Eco. Tem muita gente prejudicando a coletividade, e a si próprio, achando que é puro poder. Coitado do Brasil. Que pena de todos nós.


Anete Lacerda Jornalista

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