Praça Vermelha: 32 anos de tradição - Jornal Fato
Festa de Cachoeiro

Praça Vermelha: 32 anos de tradição

Reza a lenda que se tratava de um espaço superdemocrático: todos eram bem chegados, desde pessoas simples a políticos, todos eram bem tratados


Reza a lenda que se tratava de um espaço superdemocrático: todos eram bem chegados, desde pessoas simples a políticos, todos eram bem tratados. Não havia distinção de classe, de religião, de orientação política... os frequentadores conviviam na maior harmonia possível.

Com o objetivo de celebrar toda a história de contestação ao sistema envolvendo o local, relembrar os bons momentos - mantendo a tradição de liberdade e irreverência -, desde 1986 é promovido, por iniciativa do célebre líder ferroviário Demisthóclides Baptista, o Encontro dos Amigos da Praça Vermelha, que sempre acontece durante o período da Festa de Cachoeiro.

A 32ª edição do evento está marcada para opróximo sábado (30), a partirdas 19h30. Também são escolhidos os cachoeirenses Ausente e Presente da Praça Vermelha, entre os próprios frequentadores. Em 2018, os homenageados são Juarez Rodriguese Almir Forte dos Santos, respectivamente. Ainda Sérgio Neves receberá a Comenda Sebastião Magalhães "Aúa".  

O fato de a Praça Vermelha, no passado, ter sido frequentada por ilustres escritores, jornalistas, políticos, ferroviários e estudantes,todos boêmios e ligados (ou simpatizantes) a partidos de esquerda, contribuiu para a sua mitificação.

Orgulho dos intelectuais locais, esse local da cidade, que nem é uma praça realmente, situa-se a poucos metros do início da Ponte de Ferro, um dos cartões-postais da região central de Cachoeiro de Itapemirim.

Oseu principal ponto de encontro era o bar CDM, famoso território de livreexpressão. Nas imediações aindafuncionava o então maior cinema capixaba, o CineTeatro Broadway, com capacidade para mais de mil expectadores.

"O Encontro dos Amigos da Praça começou como uma celebração da amizade e é isso que o move até hoje, 32 anos depois. Para muitos, tornou-se também um espaço onde se vive a saudade de todas as formas: dos amigos que já se foram; das festas de rua antigas, sem tecnologia e sofisticação; da seresta e bandas de música; do CDM, que fechou; do trem que passava por ali; da cerveja e churrasquinho na calçada", diz a jornalista Célia Ferreira.

Ela, que faz parte da comissão organizadora do evento e foi homenageada com o título de"Cachoeirense Presente da Praça Vermelha" em 2015, conclui:"E o melhor é que é uma saudade alegre, sem melancolia ou saudosismo. Porque o sentimento que sempre imperou na Praça Vermelha é este: alegria de viver e conviver, sempre".

 

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