Jacqueline Moraes: de camelô a vice-governadora - Jornal Fato
Política

Jacqueline Moraes: de camelô a vice-governadora

Jacqueline Moraes é a primeira mulher, negra e da periferia a assumir a vice-governadoria do Estado do Espírito Santo


Foto: Divulgação

Jacqueline Moraes é a primeira mulher, negra e da periferia a assumir a vice-governadoria do Estado do Espírito Santo. Há 10 anos, Jacqueline era mais uma das centenas de camelôs que montavam suas barracas de produtos importados a menos de 100 metros do Palácio Anchieta, sede do Governo do Espírito Santo. De 2009 a 2019 ela saiu da informalidade para subir a escadaria do Palácio Anchieta como a vice-governadora de Renato Casagrande, eleito com 55,49% dos votos válidos. 

O Espírito Santo tem primeira vice-governadora mulher da história do Estado e, neste Mês das Mulheres, ela retoma a campanha #Nãosejalaranja, que a cacifou na disputa pelo cargo. O foco principal da campanha é incentivar a paridade de gênero nos espaços de poder e empoderar mais mulheres na política.

Ela já foi presidente da Associação dos Camelôs do Espírito Santo, é mãe e avó, aos 43 anos, com um filho de doisanos, mesma idade do seu neto. Jacqueline Moraes tem uma história forte, uma história de verdade, uma história semelhante à de milhares de mulheres negras deste país, que passam por dificuldades e arregaçam as mangas para superar. Conheça um pouco de sua história e suas bandeiras!

Campanha #NãosejaLaranja 

Jacqueline Moraes executou este trabalho quando estava na Secretaria de Mulheres do PSB e agora pretende estendê-lo a todos os partidos, iniciando com um encontro com a única governadora eleita Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte. e as seis vice-governadoras também eleitas em 2018. São elas: Regina Sousa, no Piauí; Luciana Santos, em Pernambuco; Izolda Cela no Ceará; Lígia Feliciano, Paraíba; e  Daniela Reinehr, Santa Catarina. 

Para a vice-governadora, a campanha tem o objetivo de mexer com brio da mulherada e dizer a elas: não sejam usadas. "Quando a mulher se propõe a só colocar o nome na chapa por causa de qualquer interesse que não seja o público e o político é interesse que não condiz com a luta feminina. Hoje o Brasil é um país com a menor representatividade feminina na política. As mulheres não deveriam estar na política apenas para atingir contas, mas sim, para transformar", destaca Jacqueline Moraes.

Mulher Laranja é o termo usado para se referir a mulheres com candidaturas falsas que apenas cumprem cotas eleitorais. Nas últimas eleições, mais de 10 mil mulheres candidatas não receberam nenhum voto.

Ser mulher na política

Não é fácil. É desafiador representar a mulher, negra, que começou trabalhando nas comunidades, admite Jacqueline. Mas por outro lado, é isso que me fortalece e traz ânimo para continuar. "Em um passeio com minha família num domingo desses, fui parada por uma menina, também negra e com cabelos cacheados assim como eu. Ela me abraçou chorando e disse que ela se parecia comigo. Isso não tem preço. E é nesses momentos que eu entendo que tenho responsabilidades e preciso continuar", afirma.

Breve histórico - Jacqueline Moraes nasceu no Rio de Janeiro. Veio para o Espírito Santo aos 12 anos de idade. Casada com Adilson Avelina dos Santos, mãe de três filhos, Jacque, como gosta de ser chamada, é microempresária e graduanda de Direito, reside em Cariacica desde que chegou ao Estado, cidade onde construiu sua família, carreira profissional e política.

Raízes de quem conhece a comunidade

Desde muito nova começou a trabalhar como vendedora ambulante no Centro de Vitória, aos 18 anos candidatou-se a vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro Planeta II (AMOPLA).  Desde então, entrou na luta social pela comunidade, também foi presidente da Associação de Vendedores Ambulantes do Estado do Espírito Santo e duas vezes presidente da Associação dos Moradores do Bairro Operário, em Cariacica.

Dedicada às comunidades, candidatou-se a vereadora em 2012 pela primeira vez e foi eleita com 2.562 votos, primeira colocada do seu partido.  Ela lembra nitidamente o momento em que percebeu seu papel político e decidiu ir além. "Estava numa palestra. Eu ainda era presidente da associação do meu bairro. A pauta era a necessidade de captarmos recursos em Brasília para Cariacica. Meu bairro ainda não era pavimentado e isso era uma luta nossa. Vislumbrar essa conquista me fez enxergar que eu precisava estar na política".

Mais um degrau

Jacqueline acredita que só quem galga um degrau de cada vez é capaz de encontrar equilíbrio em sua trajetória. "Quando recebi a notícia que tinha sido escolhida para ser a vice do governador Renato Casagrande, fiquei sem voz", conta ainda impressionada. A cada passo dado, cada caminhada, cada retorno, cai a ficha dessa escolha, e junto o reconhecimento dessa responsabilidade. "Faço questão de manter minhas raízes. Frequento a mesma igreja, a mesma padaria, a mesma costureira e moro no mesmo bairro", afirma.

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