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Brasil: na contramão

Um país que se "sub"-desenvolveu às custas de um modelo opressor português


Não entendo um país como o nosso: bonito por natureza, farto em recursos humanos e naturais, mas pobre em sabedoria.

Um país que se "sub"-desenvolveu às custas de um modelo opressor português; que teve seu povo natural subvertido às regras do colonizador e que, após centenas de anos, ainda não aprendeu a ter vida própria. E pior, segue modelos de políticas públicas sociais fracassadas ou questionadas por países que já tiveram esses mesmos modelos implantados.

Prova disso se verifica no projeto de Reforma Previdenciária (PEC 06/2019) que se parece com o projeto já inserido no Chile. Assim, o Brasil copia o modelo daquele país, mas fecha os olhos para os dados, quais sejam: o Chile, após a reforma previdenciária, tornou-se um dos países com maior índice de suicídio entre idosos.

Se não bastasse, o governo federal, via Decreto, ato administrativo de competência dos chefes dos poderes executivos (presidente, governadores e prefeitos), regulariza o porte de armas, porte esse que o povo, no referendo ocorrido em 2005, não autorizou. Inclusive, maiores de 14 anos, com a autorização do responsável, poderão praticar tiro esportivo.

Perdoem-me os entendimentos diversos, mas, em um país no qual R$0,50; um palavrão no trânsito ou um término de relação, acaba em homicídio, esse decreto é LOUCURA!!!

Imagino a situação: sou advogada, se quiser, MAS NÃO QUERO, posso ter uma arma em casa. Se for invadida, as chances de eu morrer por minha própria arma, e ampliar a quantidade desse instrumento nas mãos do meliante, serão grandes. Afinal, matar alguém não é algo que, sequer, consigo cogitar. Mas, para o invasor, qualquer conduta é assumida, para mim não.

Se não bastasse, a situação de falta de urbanidade e de desequilíbrio que parece prevalecer no meio social, estes agravados pela não entrega dos direitos sociais, nos países desenvolvidos, lembro dos EUA, prevalece a tendência de revisão da liberação de armas à sociedade. Por que será? Ora, salta aos olhos que facilitar o acesso da população às armas, além de não reduzir a violência, facilita agressões e homicídios que não ocorreriam se o acesso fosse dificultado.

Estou me sentindo como um cordeiro em meio a lobos. Sinto-me empurrada para uma vala que não sei onde vai acabar. Temo pelo meu país, pois ele é habitado por muitos queridos. Temo pelo desfecho das atitudes descabidas, imaturas e inconsequentes de nossos representantes. Afinal, o povo não tem segurança particular e a pública, por óbvio, deixa a desejar.

A maior parte dos brasileiros somente tem, além da fé em Deus, as polícias. Nem dinheiro para aquisição de arma tem. Assim, não é aceitável, no meu leigo entendimento, que se arme o povo. Ao contrário, necessário se faz a entrega dos direitos constitucionais, com fim de maior humanização das pessoas, e o investimento nas polícias, tanto financeiro como emocional. O contrário é temeroso, pois, como bem define Thomas Hobbes: "o homem é o lobo do homem". Isso explica o porquê de "ARMA NÃO".


Katiuscia Marins Colunista/Jornal Fato Advogada e professora

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