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A Mulher na Sociedade de Classes

A obra de Heleieth Saffioti, A mulher na sociedade de classes: mito e realidade


A obra de Heleieth Saffioti, A mulher na sociedade de classes: mito e realidade, foi tese de livre docência da autora, defendida em 1967. Sua pesquisa é um marco nos estudos acadêmicos sobre as condições da mulher brasileira. A autora é reconhecida como uma das grandes pesquisadoras sobre o feminismo. Segundo a autora o "nó que amarra classe, gênero e raça constrói as dinâmicas da desigualdade na sociedade brasileira". Ela expõe sobre a luta da mulher numa sociedade excludente desde os primórdios da história, e desenvolve sua pesquisa citando as heroicas mulheres que lutaram pela melhoria de condições de gênero durante séculos.

A primeira sociedade brasileira em defesa da mulher foi fundada em 1922, Federação Brasileira para o Progresso Feminino, que tinha entre suas finalidades: promover a educação da mulher, proteger as mães e a infância, obter garantias para o trabalho feminino, auxiliar as mulheres na escolha de uma profissão, estimular o espírito de sociabilidade e cooperação entre elas, assegurar os direitos políticos, entre outros. O primeiro voto feminino ocorreu em 1927, no Rio Grande do Norte, dado pela professora Celina Guimarães Viana. No país, apenas em 1932, as mulheres puderam votar, direito estabelecido por decreto do Presidente Getúlio Vargas.

Os mitos femininos, entre eles o do complexo da castração da mulher, segundo Sigmund Freud, foram responsáveis pelo controle social e sexual das mulheres, por mistificar a mulher no seu papel de esposa e mãe, para que ela unicamente se realize como tal, por colocar barreiras a sua ascensão profissional, enaltecer a participação profissional apenas em setores não disputados pelos homens e impedir os mecanismos de competição dentro do grupo familiar. Nos dias atuais feministas históricas, que defenderam os direitos e igualdade das mulheres, se assustariam diante das atrocidades cometidas em nome do feminismo, afinal sempre lutaram através de ideias e ideais objetivando as melhorias de condições de vida das mulheres em todo mundo. Enquanto mulheres são estupradas como retaliação de guerra, mulheres são vítimas de feminicídio, mulheres são vítimas da extirpação de clitóris, mulheres são tratadas como objeto sexual, meninas são forçadas à prostituição, enquanto os direitos não forem respeitados, a luta continua. E feministas radicais que saem em passeata com os seios à mostra, defecando pelas ruas, não nos representam, nem ao movimento.

 

Marilene De Batista Depes

 

 

 


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