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Apesar de tudo, eu voto!

Foi embora a esperança de uma rápida mudança nos rumos de uma cidade, estado ou país com as eleições


A ideologia se foi. Foi embora a esperança de uma rápida mudança nos rumos de uma cidade, estado ou país com as eleições. Foi embora a ilusão de um político realizando modificações imediatas na sociedade. Uma maneira diferente de se fazer política. Apesar da constatação, eu voto. É o meu dever como cidadão. Porque sei que as mudanças serão lentas e que depende da vigilância diária de cada um de nós. Porque sei que a eleição democrática, apesar de tudo, é a única maneira consistente de mudar o nosso país. A eleição é o princípio de tudo. Podemos evoluir e melhorar nossa democracia representativa com alteração em sua proporcionalidade e representatividade regional; podemos discutir o serviço voluntário de vereadores em cidades menores e médias. Assim como, a discussão da obrigatoriedade do voto. Afinal, é um direito. Para alguns, um dever. Mesmo assim, algo confuso: um direito não deveria tornar-se obrigação. As justificativas são muitas para a obrigatoriedade: o voto amadurece a democracia; uma forma de civilidade; a abstenção seria imensa. Algo não convincente. Pior que a abstenção é a qualidade ruim do voto. Com a obrigação, os motivos para votar são muitos, poucos da consciência. Os perigos para a democracia estão sempre presentes. O ponto básico é a melhora do ensino. Certamente, anos de estudos significa que um voto de qualidade existirá.

Acho que podemos aprender com Portugal. Poucos anos atrás os Lusitanos enfrentavam uma grande crise política e econômica com prisão de ex-primeiro ministro por corrupção. Portugal está mostrando que é possível a recuperação. No Brasil, fica a impressão que somos todos corruptos. Na verdade a alta corrupção está enraizada na elite política-empresarial. O Barômetro Global de Corrupção de 2017, que mede a corrupção nas bases da pirâmide social (serviços escolares, médicos, burocráticos, policiais e judiciais), indica que o Brasil é o segundo país mais honesto da América Latina, atrás apenas de Trinidad e Tobago. Foram espalhadas carteiras, como se tivessem sido perdidas, nas ruas de cidades de 16 países. São Paulo só perdeu para Helsinque (Finlândia) na quantidade de carteiras devolvidas aos donos. Precisamos escolher senadores e deputados federais que satisfaçam os requisitos: tenham passado limpo, apoiem a democracia e as novas medidas contra corrupção. Antonio Costa, primeiro-ministro português, resumiu: "Sempre existe alternativa para a aparente falta de alternativa."

Além do fio de esperança que ainda resta, uma ilusão aparece, quem sabe um sonho? Com o desaparecimento da obrigatoriedade do voto, com a melhoria do ensino e o aumento dos anos em uma escola, obrigados estariam os candidatos, aos cargos eletivos, de convencerem, com suas ideias e ações, os eleitores a comparecerem às urnas. E, estes, a acompanharem os trabalhos do legislativo e executivo, solicitando, de seus representantes, prestações de contas regulares. Nós, os eleitores, seríamos seduzidos pela competência.

 

Sergio Damião Santana Moraes

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