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Em 17 de fevereiro, viajei para São Paulo


Em 17 de fevereiro, viajei para São Paulo. Aniversário de um ano de idade do Bernardo, meu neto. Uma felicidade. Motivo de alegrias. Tão alegre que Bernardo se assanhou em seus primeiros passos. Passos cambaleante, mas serelepes. No Aeroporto, adquiri a revista Piauí. Alguns textos aguçaram minha curiosidade. Mônica Manir comenta o suicídio de jovens no Brasil e no mundo. Conversa com uma mãe que perdera um filho recentemente. A mãe vestia uma camiseta com os dizeres: "Viver continua sendo a melhor opção." No pescoço uma gargantilha com um coração amarelo, símbolo dos Filhos Eternos, grupo de Apoio pelo WhatsApp de mães de suicidas. Em 2016, a cada três segundos alguém tentou se matar e, a cada quarenta segundos, uma dessas pessoas conseguiu. Cerca de 800 mil mortes naquele ano. O mais preocupante: o suicídio figurou como a segunda razão de óbito entre os adolescentes e jovens de 15 a 29 anos.  

Bernardo Esteves conversa com Marcia Castro, uma demógrafa brasileira de Harvard, que estuda, na Amazônia, o ciclo de vida do Anopheles, mosquito transmissor da malária. Estuda, ainda, o Aedes aegypti, transmissor da zika, chikungunya, dengue e febre amarela. Essas doenças junto com a Leishmaniose e doença de chagas são consideradas doenças negligenciadas. Apesar de negligenciados, mosquitos e doenças, no futuro, podem preocupar o planeta. Afora o Homo sapiens, nenhum outro animal mata tantos humanos quanto o mosquito. O Anopheles é um velho conhecido dos seres humanos. A malária transmitida por ele atacou papas e conquistadores, como Alexandre, o Grande, e o exército de Genghis Khan. Das doenças não transmissíveis, bem atual, alertada em todo o mês de março, chamo a atenção para a doença renal crônica causada pelo diabetes mellitus e hipertensão não controlada. 

No final da revista, em sua última página, na despedida dos textos, com o avião quase pousando no solo paulista, Roberto Kaz, descreve Dois pesos, Duas medidas.  Fala de George, um caracol idoso, 14 anos, com menos de 2 centímetros. Morreu sem deixar herdeiros, último de sua espécie, abundavam nas florestas do Havaí até meados do século XX. Com sua extinção, um empobrecimento das matas. Os caracóis são importantes para o equilíbrio das florestas, por comerem o excesso de fungos sobre as folhas das árvores. Kaz, fala também, da Teresita, uma elefanta africana, vivia no zoológico de São Paulo, desde 1996, deixada pelo circo do México, vivia sozinha.  Elefantes são sensíveis, capazes de se reconhecerem no espelho. Teresita sofria de uma solidão profunda. Como nossos jovens sofrem, apesar de tanta gente à volta. Ainda no avião, fechei a revista. Ao desembarcar, ainda confuso pelas noticias de jovens suicidas, George, Teresita e as doenças negligenciadas, caminhei em direção à saída do Aeroporto. Logo, avistei Bernardo, meu neto, encontrava-se no colo da Carina, minha nora. Ele agitou-se. Parecia sorrir. Foi o bastante para esquecer as noticias. Sou avô. Avô tudo esquece.

 

Sergio Damião Santana Moraes

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Sergio Damião Médico e cronista

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