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O perigo da depressão online

Cada vez mais conectados em dispositivos e redes sociais, fica difícil estabelecer relações humanas saudáveis e a ansiedade e a depressão surgem causando reflexos em todo o corpo


Desde o início da revolução dos smartphones, seu uso trouxe um aumento significativo de distúrbios psicológicos envolvendo adolescentes e jovens adultos. A solidão passou a ser uma companhia pesada no dia a dia. Cada vez mais conectados em dispositivos e redes sociais, fica difícil estabelecer relações humanas saudáveis e a ansiedade e a depressão surgem causando reflexos em todo o corpo.

Engana-se que quem está triste, sem apetite, sem libido, aparentemente sem disposição para trabalhar ou se divertir está com somente com depressão e engana-se mais ainda quem ignora estes sintomas que podem evoluir para problemas sérios de saúde. Os riscos para a alma estão ao nosso redor e é preciso ficar atento para não ser sugado por esta área.

Estudiosos em diversas áreas entendem que esta geração, desde 2000 até hoje. Tem características que podem ser mais suscetíveis à doenças mentais. Crianças que praticamente nascem conectadas, brincam muito pouco no mundo real e se tornam adolescentes com menos capacidade de interagir com o mundo à sua volta e de resolver seus conflitos internos.

Os jovens estão saindo menos com os amigos, lendo menos, viajando menos, trocando a realidade pelo mundo virtual. Muitos chegam aos 17 ou 18 anos já sem expectativa de projetos de vida, de se tirar a carteira de motorista, de empreender, de constituir uma família, entre infinitas outras atribuições da vida adulta.

Filósofos já se debruçaram sobre o tema da angústia e sofrimento, que parece perseguir a humanidade. Mas o que este sofrimento, angústia querem de nós? Quais as reações que podemos ter diante de um dilema: se entregar ou reagir? Quais certezas temos na vida além da morte? Nenhuma, por isso é preciso viver em toda sua potencialidade.

Os momentos tristes são necessários para nosso crescimento e fortalecimento do psicológico, mas não devem perdurar a ponto de prejudicar a vida do indivíduo ou de desencadear problemas de saúde. Aí sim é preciso corrigir a alimentação, praticar exercícios físicos e nos casos mais graves a administração de ansiolíticos. Mas em todas as etapas a terapia tem que estar presente, cuidando das pessoas e ajudando-as a desenvolver novas visões e encontrar respostas para seus questionamentos.

E na contramão, em nosso país, essa mesma geração apresenta seus méritos: temos uma sociedade que busca a preservação do meio ambiente, os direitos humanos igualitários, clama por justiça, segurança, saúde e educação para todos. Dostoiévski disse que "O sofrimento acompanha sempre uma inteligência elevada e um coração profundo. Os homens verdadeiramente grandes devem, parece-me, experimentar uma grande tristeza".

E essa mesma sociedade reage de diversas formas com as tragédias cotidianas. Se compartilham mais fotos e vídeos de crimes e acidentes que orações e ações sociais. Se preocupam mais com selfies com o resgate das vítimas. Voltamos a citar Dostoiévski que dedicou boa parte de sua obra ao sofrimento humano: "Às vezes, o homem se põe a amar apaixonadamente o sofrimento: é um fato".

Mais uma vez, retornando ao ponto principal do nosso argumento de hoje, é relatar a importância da "desconexão". Voltar aos primórdios do homem de se comunicar, ajudar mutuamente, lidar com as relações de modo autêntico e espontâneo, crescendo com as decisões e lidando com os altos e baixos.

Precisamos lembrar que mais importante que ganhar ou perder é se manter vivo, saudável e com disposição para recomeçar quantas vezes forem necessárias. Não existe perfeição no ser humano. Por mais admiráveis que nossos ídolos se apresentam cada um tem seus medos e limitações. Como cada um de nós. Mas cabe a nós decidir o que o sofrimento quer de nós: um crescimento, um aprendizado ou uma mudança radical do estilo de vida?


Ramon Barros Colunista Ramon Barros é profissional multimídia

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