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Uma amiga vivia um relacionamento abusivo sem se dar conta do quanto isso a adoecia


Uma amiga vivia um relacionamento abusivo sem se dar conta do quanto isso a adoecia. Ele não batia, mas humilhava. Não batia, mas não perdia a oportunidade de diminuir. Não batia, mas gastava o dinheiro dela com seus vícios. Não batia, mas traía. Foram anos de lutas, idas e vindas até que ela se dessa conta de que precisava se libertar daquilo. Só quando conseguiu ficar sozinha encontrou um amor novinho em folha e foi ser feliz. Uma outra viveu um namoro de quinze anos esperando o momento certo de casar. O momento nunca veio. Era o desemprego, o emprego que pagava mal, o emprego que necessitava de muita dedicação, a viagem que tinha sonhado a vida toda, as parcelas do carro ou alguém da família que necessitava atenção. Terminaram e ela quase morreu, mas pegou o dinheiro que tinha juntado para o casamento que nunca veio e viajou o mundo, fez mestrado foi morar sozinha no apartamento que era para ser deles. Está irradiando felicidade. Tem a que sonhava ser mãe e aos 48 anos adotou três filhos de uma vez. E a que esperou os filhos crescerem para enfim estudar. São casos de pessoas que esperaram, mas não desistiram.

Mas o mais importante disso é entender que cada um tem um sonho, um jeito e um modo de ser feliz. Há quem não viva sozinho e quem ame a solidão. Há quem deseje exageros e quem descobre que menos é mais. Há os da noite, os do dia, os do samba e os do rock. Não é porque você ficou feliz com seu tríplex de frente para o mar que todos serão igualmente felizes pelo mesmo motivo. Ainda mais se ele for seu apenas por convicção, e não por provas. Acontece.

Vale ainda ressaltar o que essas e outras tantas histórias têm em comum. Uma boa dose de coragem! A ousadia de desafiar o tempo certo da sociedade e respeitar o seu próprio tempo.

Para ser feliz é preciso coragem. Mas, mais do que isso, é preciso sensibilidade para compreendermos que não somente de grandes feitos se faz um sorriso. Tome um café na varanda, dance como se ninguém estivesse olhando, deite no colo do seu amor, abrace seu filho, defenda alguém de uma injustiça, agradeça todas as manhãs. Tenha um cachorro, se gostar. Ou um gato. Ou nenhum dos dois. Regue plantas, compre uma camiseta branca. Peça demissão. Faça o que for preciso para estar com a alma em paz, o coração leve e o rosto iluminado. Só não pare, porque os momentos perdidos nunca vão te perdoar por isso.


Paula Garruth Colunista

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