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Um amigo brincalhão publicou, no face, mensagem na língua do Pê


Um amigo brincalhão publicou, no face, mensagem na língua do Pê. Como não entenderam nada, resolvi continuar a brincadeira e com ela vieram as recordações. Quando jovem me comunicava com amigas na referida língua, para que os adultos não participassem da nossa conversa. É simples de falar, mas complica no entendimento. Felizmente não perdi a fluência e continuei me comunicando com os netos, quando tratamos de assuntos particulares. Adoro repassar cultura inútil para eles!

E me veio à lembrança as inúmeras brincadeiras que curtimos juntos antes do advento do smartphone. Brincávamos de pique, o de esconde - os complicados de hoje eu nem entendo bem de tanto salva prá lá e salva prá cá. Não sou muito adepta de jogos, mas os que podiam desenvolver o aprendizado eu curtia com eles, como a Forca e o Adedonha. Na Forca tem-se que adivinhar uma palavra ou se morre enforcado e na Adedonha prepara-se uma lista para preencher, obedecendo uma letra inicial, com nomes diversos de frutas, flores, países, cidades, animais, filmes, marcas de carros e pode-se complicar à vontade. Ganha quem mais acerta. Primeiro de abril já passei muito, e até organizava de antemão como iria pegar cada um, hoje estão muito espertos e não caem mais, porém de vez em quando ainda pego um no descuido. Já realizei com eles grandes caminhadas, de Cachoeiro até o Itabira e em Marataízes simplesmente pelas ruas. E realizei um sonho: fomos de trem até Belo Horizonte, um passeio inesquecível. E estou planejando leva-los à Itália, para que possam conhecer a cultura dos nossos antepassados. Adoro conviver com as novas gerações, e como hoje quase não se brinca, também aderi ao smartphone e é através das novas tecnologias que nos comunicamos.

Brinquei menos com os filhos, na infância deles eu lutava mais pela sobrevivência, estudando, trabalhando e tentando dar o melhor de mim. Mas nos verões lembro-me do pique com eles pelas ruas de Marataízes, até que caí estatelada numa calçada, esfolei o rosto, fiquei vários dias sem ir à praia e reconheci não ter mais idade para essas aventuras.  E hoje, no meio das recordações, considero-me uma afortunada. Comunicando-me em inglês - com dificuldade, em italiano - mais facilmente pela ascendência, e agora retomando a posse da língua do Pê, posso considerar-me uma potencial poliglota. Vopocêpe dupuvipidapa? 

 


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