Jenipapo? O que é isso? - Jornal Fato
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Jenipapo? O que é isso?

Viajando para o norte do Estado encontro uma barraca, na beira da estrada, vendendo jenipapos


Viajando para o norte do Estado encontro uma barraca, na beira da estrada, vendendo jenipapos. Comprei uma boa quantidade sonhando com o doce feito por minha mãe, e também imaginando o paladar do licor. Na minha infância era comum oferecer licores às visitas, sendo os mais comuns o de jenipapo e de folha de figo, ambos deliciosos. Hoje se oferece cafezinho. Imaginei o sucesso do doce entre os idosos da Vila Aconchego. Quando cheguei com as frutas a cozinheira torceu o nariz, e enquanto o doce estava sendo preparado o odor que exalava ia causando reclamações, naturalmente dos jovens, os antigos sabiam do que se tratava, apreciando ou não. Por conta do jenipapo, que não encontramos mais para vender, fui listando as mudanças que ocorreram com plantio, comercialização e consumo das frutas nos últimos anos. Decido pesquisar na feira e encontro variedades das quais nunca ouvira falar anteriormente. Aliás, comia-se o que se plantava, frutas não eram comercializadas, lembro-me apenas de uma quitanda em que se vendiam bananas. E nos armazéns só tinham mantimentos.

Das espécies modernas listadas cito: none, lichia, blueberry, pitaya, atemoia, açaí, guabiroba, acerola, kirkan, kiwi, physalis, toranja, nectarina, damasco, pokan, papaya, graviola, seriguela, morango, tamarindo,  uvas e ameixas importadas, entre outras  E quanto as frutas da minha infância, e nosso pomar tinha quase todas: jenipapo, pitanga, amora, abricó, ingá, sapoti, fruta-do-conde, caqui, biribá, cacau, mexerica, manga, cidra, jamelão, romã, goiaba, abiu, mamão, pinha, uva rosada, cajá, caju, jabuticaba, maracujá, laranjas variadas, melancia, carambola, jaca, banana, melão, abacate, abacaxi, coco, araçá, ameixa amarela , jambo, lima, cana e figo. Frutas como maças, peras e uvas só eram consumidas pelos ricos, os nossos pais só compravam para nós quando estávamos doentes ou eram levadas nas visitas aos hospitais, para alguém muito especial.

Alguns detalhes ficaram gravados na memória, como o cuidado do meu pai que embalava cada figo, para crescerem suculentos e deliciosos. E da festa que fazíamos quando caia um cacho de coquinho meleca e nos esbaldávamos comendo como uma iguaria, o que hoje analiso e considero que era uma grande porcaria. Como deve ser o jenipapo para as novas gerações... a ponto de Roberto Carlos pedir autorização a Raul Sampaio para tirar o jenipapeiro no centro do terreiro, da música original do "Meu Pequeno Cachoeiro", para flamboyant da primavera! 

 

Marilene De Batista Depes

 

 

 


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