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Meu marido vai passar por uma cirurgia e nas orientações finais recebo a informação de que são necessários dez doadores de sangue antes da internação


Sempre que havia algum manifesto requisitando doadores de sangue, após algum acidente ou calamidade, pensava tratar-se de questão a ser resolvida facilmente. Tinha conhecimento de grupos que se propõem à doação, tais como turma de motoqueiros, ciclistas, clubes de serviço, reservistas do Tiro de Guerra, entre outros. Tudo muito distante na minha cabeça. E mais uma vez comprovo que, o calo só dói quando o sapato aperta.

Meu marido vai passar por uma cirurgia e nas orientações finais recebo a informação de que são necessários dez doadores de sangue antes da internação, e que o não cumprimento da norma a inviabilizaria. Havia um prazo de 15 a 5 dias antes da cirurgia para que os doadores se apresentassem. Minha primeira atitude foi pesquisar as regras de conduta para doação, que são inúmeras: Boa condição de saúde, ter entre 16 a 69 anos, pesar mais de 50Kg, estar alimentado evitando alimentos gordurosos, ter dormido bem, levar documentos, e menores de 18 acompanhados dos responsáveis. E inúmeros os impedimentos: idade incompatível, anemia, pressão alta ou baixa, febre ou resfriado, grávida ou amamentando, pessoa com risco de DSTs, qualquer procedimento endoscópico nos 6 meses antecedentes, tatuagem ou maquiagem definitiva nos últimos 12 meses, extração de dentes ou tratamento de canal, acupuntura, vacina de gripe no prazo de 48 horas, herpes e outros.

Os possíveis doadores a quem recorremos foram os familiares, amigos e funcionários. Imaginei uma tarefa simples e aí me enganei. No teste do hematócrito, realizado na hora, a maioria não passa, principalmente as mulheres por conta da menstruação. No da pressão idem, fica-se nervoso para doar e a pressão sobe. As pessoas iam confiantes e retornavam frustradas. Grupos se ofereceram, mas não puderam doar porque tem-se que ter um prazo de três meses entre uma doação e outra.  Fui ficando agoniada, levava quatro e só um conseguia, levava dois e nenhum estava apto. Passei uma semana transportando possíveis doadores e nunca chegava no número a ser alcançado. Uma amiga comeu abacate e não pode doar, imagine só! Atingi a meta no prazo, mas a custa de muita ansiedade e frustração. Fica a certeza que me tornarei uma incentivadora de doação de sangue. Agora entendi, em profundidade, o quanto é necessária.


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