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O mês da "mulher" começou com vários casos de feminicídio consumado e tentado


No dia 08 de março foi "comemorado" o dia da mulher, mas não há muito o que celebrar. O mês da "mulher" começou com vários casos de feminicídio consumado e tentado.

Covardia, indecência, mau-caratismo, ..., e indignidade sempre existiram. Sempre existiu "homem macho", mas que não aprendeu a  ser Homem. Ser cabra-macho é fácil, pois é só deixar o bicho sobressair, mas ser HOMEM de verdade (pensar, raciocinar e ter capacidade de controlar impulsos negativos) não é para qualquer um: só os Homens de verdade sabem respeitar e valorizar uma mulher!

Por óbvio, quem pensa, controla seus impulsos e sabe que o amor é cativado e não imposto por meio de açoite.  Gente que é gente quer ter ao lado quem quer ficar. Quem não quer estar junto que passe bem, pois a vida segue. Mas bicho não: bicho morde, gruda no pé, persegue, prende a presa e não a deixa escapar.

Homem que é Homem não precisa ter malícia, não faz questão de jogar maldade no olhar e tampouco sente necessidade de soltar palavras irritantes quando uma mulher segue livremente seu caminho pela rua.

É rídiculo quando um bicho cara de pau salta piadinhas quando uma mulher passa na sua frente, deixando-a, por vezes, desconfortável. É inaceiável qualquer forma de violência, especialmente por posse da mulher.

Esse mês é o da Mulher, mas, díficil, nos dias atuais, falar de mulher sem distinguir um Homem de verdade de um bicho sem humanidade. Isso porque, a cada instante, uma mulher tem a vida ceifada, fisica e/ou emocionamente, por projetos desumanos inacabados.

O pior é que muitos projetos de gente, supostamente do sexo masculino, se acham no direito de agredir, de maltratar e de matar uma mulher porque se sentem proprietários do ser humano que, por fatalidade, teve a desventura de conhecê-los.

Ora, as mulheres estão em constante evolução! Conquistaram - e conquistam a cada dia mais - espaços de gestão e de respeito na sociedade; as mulheres conseguem viver muitos papeis sociais sem perder a graciosidade, a ternura e a humanidade. Contudo, é urgente que alguns "homens" aprendam a superar o animal que há dentro deles para começar a ser gente, a ser Homem de verdade.

No mês da mulher ecoa no coração feminino o grito para que, a exemplo delas, que são admiráveis, os homens, que não saíram do status de projeto de gente, aprendam que mulher não é propriedade, não é coisa e nunca será conquistada debaixo de cacete. Ao contrário, uma mulher violentada nunca entregará seu coração e sua alma ao agressor. Assim, se quer ter o amor de uma mulher, conquiste-o todos os dias, dê rosas, seja doce, entregue o coração, pois murro não conquista, repele. Só burro acredita que, agredindo, terá uma mulher. Mulher morre, mas não se entrega a bicho em construção.

Quem pensa que mulher se domina com a força, não está preparado para viver em sociedade. E, enquanto sociedade, precisamos denunciar os bichos espalhados por aí, precisamos acolher e ajudar as vítimas de violência, pois têm direito de voltar a sorrir.

Não adianta celebrar dia 08 de março se muitas mulheres brasileiras estão sendo impedidas, a ferro e fogo, de viver o que têm de mais belo: o dom de ser mulher. Afinal, a violência contra uma mulher, a todas machuca.

 

Katiuscia Oliveira de Souza Marins


Katiuscia Marins Colunista/Jornal Fato Advogada e professora

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