Uma subida a Vargem Alta - Jornal Fato
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Uma subida a Vargem Alta

Em Vargem Alta, encontrei Gilson Leão muito feliz


Em Vargem Alta, encontrei Gilson Leão muito feliz. Ao lado de Fátima, ele cuidava de suas coisas e foi buscar um saxofone. Colocou o CD no prato e música conhecida veio acompanhada do som do sax. Som produzido por ele, na hora, e som trazido pelo CD onde ele gravara seu sopro ao lado do original - um jazz. Era - sinto - o que Gilson queria: - estar nas montanhas e tocar a música (sente saudade do pai, ele confessou a outro amigo).

A pequena propriedade que Edil Leão, seu pai, lhe deixou em Vargem Alta, já antes o paraíso, transforma-se agora, pelas mãos de Gilson, em outro paraíso, iguais na essência de pai e de filho; moldado nesse instante pela essência própria de Gilson.

Ele começa trabalho novo nas montanhas. Carregou a vida inteira carreira burocrática de bancário, mas sempre com a alma dando escapulidas e voando alto, além-montanhas, desgarrada de formulários contínuos e modelos padronizados. Gilson, eu sabia, sofria as mágoas de repetição das coisas, do que ele não gostava, mas cumpria tal qual Sísifo, a empurrar a pedra imensa montanha acima, para vê-la, no topo, rolar abaixo e, no dia seguinte, fazê-la subir... e vê-la descer novamente, hoje, amanhã, interminavelmente. Essa a vida de bancário, de burocrata que não quer ser bancário ou burocrata. Isso vi não só hoje, mas na vida inteira do amigo forçado pelas circunstâncias e se amordaçar e ser amarrado nos meandros e peças que a vida prega.

Mas não era isso que eu queria dizer, embora me sinta bem em tê-lo dito. O que quero dizer é que Gilson Moreira Leão, bem aproveitando a melhor herança deixada por seu pai, está pronto para receber turistas (sim, somos todos turistas - se tivermos coragem de ir para o mundo) em Richmond, 8 km acima de Vargem Alta, o carro serpenteando pela estradinha de 8 km de terra batida (estrada boa), cuja continuidade vai a Iconha e que vai ser asfaltada, nem sei para o bem ou para o mal.

Vi o que Gilson fez, como conheci, também, poucos metros à frente, algo igual construído pelo dentista Beto Carvalho, igualmente preparado para receber visitantes. São, ao todo e por enquanto, de Gilson e Beto, empreendimentos individuais, 10 suítes alugadas para casais ou até 4 pessoas por suíte, em valor, por fim de semana, que te vai surpreender, podendo o fim de semana, quem sabe, começar na sexta e terminar quando os raios de sol e a neblina das segundas começarem a luta sadia sobre quem vencerá: ou cálido do sol da montanha ou as neblinosas nuvens puras de Vargem Alta.

(Antonio Edil Leão, pai de Gilson, em visita que lhe fiz - 20 anos se foram (35 agora) -, me ensinou a prática: desmanche o fumo do cigarro e esfregue-o inteiro na parte interna do para-brisa. Não mais haverá condensação de ar no para-brisa).

Os turistas de Vargem Alta, alguns franceses, a maior parte da capital do Estado, estão tomando conta das montanhas - lá frequentam em fins de semana. Nós, daqui, ainda com espírito suburbano, continuamos achando que turismo é (só) exterior, ou seja, para a maioria, é só sonhar.

Sonhe meu amigo, mas sonhe melhor nas montanhas de Vargem Alta, tão próxima e tão bela, tão pequena e tão agradável, tão inexplorada e tão à nossa espera.

(Texto que publiquei em julho de 2005, saudando a então nascente atividade turística em maior escala, em Vargem Alta. É também homenagem que faço ao pai de Gilson, Antonio Edil Leão, de quem ouvi tantas boas coisas e lições no meu mais de um quarto de século com funcionário do Banco do Brasil, em Cachoeiro de Itapemirim).

 

O Sul marca encontro em Marataízes

Parece-me que, finalmente, o Sul do Espírito Santo começa-se a se integrar, seja em artesanato, seja em cultura, seja em moda, seja em gastronomia.

Um exemplo que me parece indicar isso é o denominado "Misturaê - Feira de Moda Criativa e Gastronomia", que acontece nos dias 1 a 3 e 8 a 10 de fevereiro corrente, no horário de 14 às 22 horas, no ESPAÇO INSPIRAR, na rua da Pousada Miramar, na vizinha Marataízes.

Visitar essa e outras atividades das áreas de cultura, de moda, de gastronomia, de artesanato, parece-me um bom caminho para cada vez tornar nossa região Sul mais atrativa não só para nós, como para os visitantes de outras regiões, cada vez mais presentes por aqui.


Higner Mansur Advogado, guardião da cultura cachoeirense e, atamente, vereador

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