Uma Foto, uma História, uma Perda - Jornal Fato
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Uma Foto, uma História, uma Perda

Foi tirada por um fotógrafo de Petrópolis, então com apenas 18 anos de idade


A foto que acompanha este texto, ao mesmo tempo me orgulha e me frustra. Ela é reconhecida como a última foto da Família Imperial brasileira, antes de embarcar para a Europa, em 1889, em exílio, após a Proclamação da República.

Foi tirada por um fotógrafo de Petrópolis, então com apenas 18 anos de idade. O fotógrafo é Otto Hees. (Esse o orgulho; poder partilhá-la aqui).
A foto está na pag. 172 do livro "Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro", de Boris Kossoy, Editora Instituto Moreira Sales (capa dura, 408 págs., esgotado).
Os personagens da foto estão identificados no livro.

Da esquerda para a direita: Imperatriz Thereza Christina Maria, Princesa Isabel, Imperador D. Pedro II, Dom Pedro Augusto de Saxe, Dom Luiz, Conde D'Eu, príncipe do Grão Pará (Dom Pedro de Alcântara Luis Felipe) e, à frente, sentado, Dom Antonio Gastão.
O fotógrafo Otto Hees é nada mais, nada menos, que pai do iniciador do cooperativismo em Cachoeiro e no sul do Estado, o Dr. Djalma Eloy Hees - falo da fundação da Cooperativa de Laticínios de Cachoeiro de Itapemirim.

Impressiona que, tendo o Dr. Djalma Eloy Hees sido grande personagem de nossa História, a informação e a realidade de ser filho (e neto) de grandes e importantes fotógrafos da Corte Imperial e da Capital da República, não tenha ficado registrado na memória da cidade. (Essa a frustração: como a nossa História se vai e como que, com ela, se vão os grandes homens?).

 

Pouco se me dá que claudique a onagra

Mexendo na montanha de antigos livros meus, acabei por encontrar dentro de um deles, um livro de crônicas de Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde), livro de 1964, este texto manuscrito que transcrevo abaixo, manuscrito meu, que acredito ser de 1970.

Mesmo com o pedantismo natural da juventude (eu teria uns 21 anos de idade), acho que o que tracei, ali, para minha vida de escrevinhador (agora estou nos 71 anos), ainda que com certo pedantismo, repito, acho que algumas vezes acertei.
E digo com sinceridade que sempre procurei isso:

- "Estamos aqui para dizer o que acharmos justo, sem que paixões nos dominem".
O texto manuscrito, completo e sem edição, respeitando o escrito de 1970, é este:

- "Pouco se me dá que claudique a onagra".

Cada tijolo sobreposto, cada obra iniciada, é um novo alento, uma nova esperança que surge. Espera-se que o tijolo e que a obra alcancem edifício amplo e completo.

É tão somente essa a nossa proposição; chegar até onde poucos chegaram. Construir alguma coisa que não só ocupe espaço, mas, que a partir desse espaço, iniciei uma realidade.
Cada linha, cada palavra, cada letra, pode ter certeza aquele que me lê, foi produzida com intenções maiores do que a divagação; foi produzida no interesse real de algo necessário.

Estamos aqui para dizer o que acharmos justo, sem que paixões nos dominem. Não é demais, mas, repetimos, poucos conseguiram.
Quando ao que de mais houver, "pouco se me dá que claudique a onagra".

Frases pra se guardar e meditar (III)

Antonio Marins - O palacete que (o Barão do Itapemirim) habitava, à margem do Itapemirim, era construído no feitio dos castelos medievais sobre o alto de uma colina de onde se descortinava a vastidão do oceano. Escadarias de mármore com leões à entrada e torreões nos cantos... Como nos castelos feudais, também tinha os seus desvãos meio subterrâneos e capela magnífica.

Dante Alighieri - Afirmo que, se esses erros provêm da ignorância, devem ser desculpados depois da correção, como deve ser desculpado aquele que, nas trevas, tivesse medo de um leão. Pelo contrário, se esses erros são provenientes de malícia, seus autores devem ser tratados como os tiranos, que não fazem as leis servirem à utilidade comum, mas sim, tão somente, as fazem servir para sua utilidade pessoal.

Cícero - Nunca façamos o que não possamos explicar; isso é a síntese de todos os nossos deveres.

Higner Mansur (fevereiro/2005) - Os juros do Brasil são os mais caros do mundo. Os bancos brasileiros são os que mais lucram no mundo. Novidades? Não. Novidade é que o FMI é quem reconhece isso. Lula está fazendo a lição com muito mais rigor do que o FMI pede. Melhor do que FHC. Saudades dos bons tempos. Um dia a casa cai.

Higner Mansur (fevereiro/2005, sobre o recém-plantio das palmeiras na Praça Jerônimo Monteiro, Cachoeiro) - Há justos motivos para se criticar o plantio das palmeiras na Praça Jerônimo Monteiro. Mas um fato é incontroverso: saindo as árvores de pequeno porte e muita folhagem, deu-se amplidão à praça e as pessoas voltaram a ela. É só ver num sábado à noite, como eu vi, quando me encaminhava para meu escritório, para escrever esta página. Se um dia removerem as palmeiras não removam o povo dos sábados à noite.

No livro Histórias da Alma, Histórias do Coração - Quando Kruschev pronunciou sua célebre denúncia contra Stalin, comenta-se que alguém no Salão do Congresso teria dito: - Onde estava você, camarada Kruschev, quando todas essas pessoas inocentes estavam sendo massacradas? - Kruschev parou, percorreu o Salão com os olhos e disse: O homem que acabou de fazer essa pergunta poderia ter a bondade de se levantar? A tensão foi crescendo no grande Salão. Ninguém se mexeu. Ninguém abriu a boca. Até que Kruschev disse: - Bem, seja lá quem for, já tem a resposta à sua pergunta. Eu estava exatamente na mesma posição em que você está agora.

Fabrício Carpinejar - Poucos interrompem seu curso para ouvir delicadezas. Um atropelamento e desconhecidos se aproximam e trocam impressões com uma naturalidade familiar. O cemitério ensina melhor do que a escola.

(Essas frases, selecionei-as de "meus livros" e escritos, devida e anteriormente grifadas, para distribuir aos alunos da Escola Estadual Fraternidade e Luz, para reflexão deles. Servem para meus leitores, também - Boa leitura).


Higner Mansur Advogado, guardião da cultura cachoeirense e, atamente, vereador

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