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Desde o PDLI de Ary Garcia Roza

Em janeiro de 1971, aos 22 anos de idade, eu tomava posse, na Prefeitura de Cachoeiro


Em janeiro de 1971, aos 22 anos de idade, eu tomava posse, na Prefeitura de Cachoeiro, como Chefe de Gabinete do Prefeito Hélio Carlos Manhães. Algumas belas ocorrências ficaram em minha memória, dentre tantas - a presença eventual de profissionais do "Escritório Técnico Ary Garcia Roza" na Prefeitura, na época, uma das mais importantes empresas de planejamento urbanístico do país. E Ary Garcia Roza era cachoeirense.

As visitas, certamente, se repetiam desde o Governo Nelo Borelli, que iniciara o andamento do contrato que veio dar na confecção do PDLI - Plano de Desenvolvimento Local Integrado de Cachoeiro, exigência da legislação federal, tal qual ocorre, agora com o PDM, antigo PDU.

Os estudos de Ary Garcia Roza atravessaram o Governo Hélio Carlos (dois anos de mandato) e foram até o fim de 1974 (ou início de 1975?), concluídos no Governo Theodorico Ferraço. Guardo comigo cópia do PDLI, em dois grossos volumes em papel, com autógrafo de Ary Garcia Roza, dedicado a Paulo Domingues, que me o repassou tempos depois.

Brevemente, em parceria com um cachoeirense amigo de muitos anos pretendemos disponibilizar cópia digitalizada dos dois volumes do PDLI, estudo técnico que se transformará em acessível memória da cidade e fonte de pesquisa para Cachoeiro, mas que não resolverá muita coisa em sentido prático, vez que se trata - como os outros - de estudos técnicos (bons ou ruins) e não de histórias da carochinha.

Depois do PDLI, veio o PDU e, logo depois, o PDM, este - muito mais que os outros - sujeito de sucessivos estupros. Custa dizer, mas há que ser dito que, quanto mais vai se mudando o nome dos ditos "Planos", mais e mais não vai se resolvendo nada; mais e mais a cidade se transforma em menos, muito menos, graças à incompetência da maioria das administrações municipais, à ganância de parte da sociedade produtiva e, por que não dizer, ao silêncio (ora do interesse, ora da covardia) da maior parte de nós que dizemos querer o melhor para nossa cidade e nosso município.

A face mais visível do despudor com que é tratado o ambiente urbano em nossa cidade, quem o demonstrou foi o Movimento MOVA.SE, ao provar e mostrar ao vivo a indecência que são nossas calçadas (isso no centro da cidade, imagine nos bairros dos pobres). O MOVA.SE está vindo para a 3ª caminhada; vamos lá? 30 de novembro, a partir de 9 h da manhã, começa frente ao Edifício Itapuã, e terminando na esquina da Rua Pedro Dias.

Ygnácio de Loyola Brandão disse: - "Até que, de repente, contemplamos nossa cidade de fora e admitimos: como a suportamos? Por que não protestamos e nos conformamos em viver num lugar esburacado, calçadas podres, ruas sujas, poluição visual? Que sentimento masoquista é este? E porque não lutamos contra os que a tornam feia?".

 

MAKTUB

Maktub é expressão árabe que quer dizer "estava escrito". É nesse sentido que se apresentam à cidade de Cachoeiro o jovem casal Cristian Neres da Silva e Diennifer Figueiredo, ele de Santa Catarina e ela de Mato Grosso, em uma Kombi repleta de livros. A proposta deles, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, é a troca de livros e/ou a venda de livros a preço razoável, de acordo com as condições financeiras do leitor. Se você levar dois livros, pode pegar um; se não tiver livros para trocar, pode pegar um do Maktub, a - como dito - preço razoável e suportável para você.

A dupla, que já passou por mais de 120 cidades brasileiras, fica em Cachoeiro até 15 de novembro, no centro da cidade, Praça Jerônimo Monteiro, frente ao Bernardino Monteiro, de 16 às 21 horas.

Como divulgado, o público poderá assistir, também, a documentários no telão sobre a Kombi e observar a Lua por meio de telescópio. Tudo gratuito.

Bem-vindos jovens ativistas da Cultura brasileira. E quando se forem, que levem boas lembranças de nossa cidade e que Cachoeiro sempre se recorde de vocês, pelo exemplo e simpatia.

 

Li Nesta Semana e Repasso

ECLESIASTES, 8 - 11 (Bíblia na Linguagem de Hoje - parece escrita para a prisão em segunda instância. Ou não?) - "Por que as pessoas cometem crimes com tanta facilidade? É porque os criminosos não são castigados logo".

ECLESIASTES, 8 - 11 - (Bíblia, noutra versão) -  "Porque não se executa logo o juízo sobre o crime, o coração dos homens está disposto a fazer o mal".

Ariano Suassuna - "Tenho que viajar não. Conheço a Rússia melhor do que muito russo, através de Dostoievski, Gogol e Tolstoi".

Palmeira e Biá - "Não se esqueçam que, por mais que cresça, perante Deus qualquer gigante tomba!"

Baltasar Gracián - "Qualquer um pode chegar à perfeição, mas a maior delas, a suprema, é ser uma boa pessoa".

Baltasar Gracián - "A sabedoria sem valentia é estéril".

Baltasar Gracián - "A natureza sempre nos dá alguma qualidade. Mas cabe-nos melhorá-la".

Baltasar Gracián - "Quem tem sabedoria, que é eterna, leva vantagem; sabe que se não é seu momento, com prudência poderá esperar".

Baltasar Gracián - "Em vez de ser gigante e oco, vale mais ser pequeno e sólido".

Baltasar Gracián - "Com sinceridade e prontidão pode-se sair de cabeça erguida das situações mais difíceis".

Darcy Roberto Lima - "O cérebro é como um paraquedas... só funciona aberto".

Darcy Roberto Lima - "Coragem é a arte de ter medo... sem que ninguém o perceba".

Darcy Roberto Lima - "Café, bebida mais indicada para estudantes, por ajudar na capacidade intelectual, no humor e no aprendizado".

Darcy Roberto Lima - "Nunca sonho quando durmo, só quando estou acordado".

Darcy Roberto Lima - "Existem safados com safadeza bastante para agirem como homens honrados".

(A Bíblia todo o mundo conhece. Ariano Suassuna, escritor nordestino. Palmeira e Biá, cantadores caipiras tradicionais. Baltasar Gracian, jesuíta espanhol do século XVII e Darcy Roberto Lima, médico que "conheci", dia desses, através de meu especial amigo do Café Campeão - José Guilherme Lima, em circunstâncias especiais - voltarei ao assunto).

 

  

 

 

 


Higner Mansur Advogado, guardião da cultura cachoeirense e, atamente, vereador

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