Por onde andam as pessoas? - Jornal Fato
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Por onde andam as pessoas?

Talvez, resultado das mudanças de hábitos, de várias gerações


Por onde andam as pessoas? Vejo ruas cheias e poucos encontros. Uma sensação de hiato. Não percebo mais o aconchego de gente com gente. Não mais! Subitamente, a percepção que tenho é a de que nos isolamos, pouco a pouco, e nos dividimos, nos segregamos. Andei por ai a reparar, esse afastamento, e a falta de contatos humanos, comuns outrora, e raros hodiernamente.

Talvez, resultado das mudanças de hábitos, de várias gerações. Dos costumes. Da velocidade. Por exemplo, feneceram os grandes cinemas. Hoje, apenas, salas diminutas, onde nos acotovelamos. Não existem mais a conjugação de amigos. Não os vejo por ai. Penso que a própria amizade, anda por um fio. Tristemente, do mesmo azar padecem as pessoas que não reagem mais aos estímulos sentimentais. Nem a arte lhes emociona. Uma bela canção, um poema. Nada. As pessoas não exprimem mais coisas do coração. Onde andam as serenatas? E os casais enamorados? Que arrulhavam feito pombos, suas doces melodias. Os tempos modernos sepultaram o passado, isto é um fato e, depois da mortandade, e em muitos quadrantes, produzir até bons resultados, penso, definitivamente, que encolheu o amor nas pessoas. Inibindo seu desfile notório. Podou beijos e, no lugar do gosto pelo abraço, um apreço rocambolesco por cousas novas, vazias e sem sentido, ainda que usuais. Alguém viu o romantismo por ai? O rapaz que entrega flores? As cartas de amor, com o carteiro? Nada! Uma lastima que tenhamos tanta perícia nos teclados, porém, olvidamos o coração. Talvez um último esforço, um último consolo e o verso derradeiro, sejam capazes de ressuscitar em nós a vocação para amar. A história da humanidade, a rigor, não foi redigida por conquistas, guerras estupidas ou ambição desmedida. Na verdade, foi amando a lua que fomos até ela! Amando, somos quem somos, e seremos, ou não!

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E misturo tudo! Cada parte da quimera. Dos sonhos vívidos da gaveta de poeta, que se acertam em versos, livres das chaves que escravizavam o poema 

Então, como um sol saído das brumas. E sal, de múltiplas espumas, admiro, impávido, as curvas de tua cintura, na rede, que te embala, cedo, e os devaneios, à beira da tua fonte mística, onde mato toda sede, tanto, ao repetir seu nome que amo. Solange 

E cada azaleia. Cada gerânio, também repetirão do que lhe chamo: amor! ao saberem o quanto amo-te 

Cada entalhe das plantas, vestidas com suas cores, sustentam o amor que sinto, feito a flor cálida, que se abre em seixos, feito um beijo que não se esgota. 

Do amor, que está na mesma terra, uso a palma da madeira, que principia o instrumento eunuco e fértil, a lavrar, a alma que era estetil, e preparo o alimento, para mulher que sustentara de centeio, advinda do meio dos sulcos, os meus sonhos moços, feitos num arado de estrelas 

Morro de tormentos, em flagelos imensos. Noites vermelhas. Depois o lenitivo. A linha que anuncia, imprevista, o asilo gracioso desse dorso. 

E meu grito retumbante, nesse instante soara como um hino em seus tímpanos, ao repetir para ti: amo-te. E, então, foram-se, as dores. Restando, na cena, apenas o amor posto e sua companhia. 

E ai, o que não existia, haverá, limpidamente, nos halos expostos, dos teus dedos macios em meus cabelos... 

Posso sentir?  E o que é sentir? Contacto? Isso? ou indo ao encontro ardente e oculto, caos, em que aprendo, a não avisar, nunca, que me fuja a censura, e amarei, de minha parte, amar, sempre, sem qualquer juízo.

 

 


Giuseppe D'Etorres Advogado

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