Petilde - Jornal Fato
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Petilde

Uma espécie de amalgama, a misturar sangue e flores, doçura e firmeza, sabedoria com humildade


Dentre tantas lembranças, e logo eu que me sentia tão vazio e sem argumentos para escrever, fui iluminado, na casa das lembranças, com a sua imagem. E me veio você, cujo prenome é tão incomum, quanto a criatura que o ostentava, tremeluzindo em minha memória, já tão combalida. Eis, então, você - Petilde. Uma espécie de amalgama, a misturar sangue e flores, doçura e firmeza, sabedoria com humildade.

Você que permeou as vidas de minha família como um cometa bom, a espargir bondade, cuidando das crianças, a ponto de que, como diz a canção, mais do que fãs, tornar-se-iam partes indissociáveis do enorme coração de mulher, mãe e avó. Que viveu, Franciscamente, ali no Nossa Senhora da Penha, na casa pequena, de lajotas nuas e alma imensa. No seu coração, indelevelmente, além dos familiares, também caberão escritos os nossos nomes, e dos nossos filhos, a quem tanto amou: Carlo e Camila. Assim, se Deus existe, e creio nisso, na grandiosidade do ato de amar, mais importante que o amor, Petilde era sua mais límpida tradução ao lidar com pessoas, compreende-las e consola-las. Penso que esteve conosco desta forma, da mesma forma que os anjos bons nos acompanham, deixando a impressão benfazeja de sua vida em nossas existências. Penso que quando partiu, deixando atrás de si.um rastro de saudade, cuidou, também, para que no céu, no momento que cai a noite, luzisse a primeira estrela e nós, aqui de casa, em silêncio. Profundo, recordássemos, nesse momento celestial, de sua passagem e, sem que nos apercebêssemos, pronunciássemos seu nome: Petilde, como quem sopra a rosa.

 

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Vem para mim

Vem, desesperadamente, como se tudo fosse se apagar, subitamente.

 

Vem sem aviso e receberas meu vinho, num copo de narcisos extremos e tão intensos quanto as caricias que te esperam, ardentemente.

 

Vem e entregue-se, e eu, eu me rendo, ao mar que avança sobre nossa praia, onde anoitecem diversas estrelas celestes, nada pedras agrestes das encostas, de quem gosta tanto

 

Vem assim mesmo, sem medo do desfecho, do espanto, do cume de montanhas, dos abismos repentinos, nas sextilhas de um poema, com seus dilemas.

 

Do amor, que é lâmina perpétua, dilacerando cada canto da carne, que arde e brilha.

 

Finge que não viu o sangue a escorrer, entre os corpos talhados, e sorve, deixando para os dentes, completamente, morderem contentes o amor febril.

 


Giuseppe D'Etorres Advogado

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