Plano pretende desenvolver microrregião - Jornal Fato
Especial

Plano pretende desenvolver microrregião

Iniciativa que reúne esforços do setor produtivo, governo e sociedade civil foi lançada na última quinta-feira em Cachoeiro


- Marcos Debona

Algumas convicções estabelecidas sobre a economia da região central sul foram desmontadas por números do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) - equivalente ao IBGE, em nível estadual. Embora a produção agrícola e a indústria de rochas ornamentais tenham grande destaque, é o setor de serviços o responsável por 63% da economia na região.

A desconstrução de certezas e o estímulo a um olhar mais ampliado sobre o potencial, vocações e necessidades da microrregião - composta pelos municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Vargem Alta, Atílio Vivacqua, Mimoso do Sul, Muqui, Jerônimo Monteiro, Castelo e Apiacá - foram a tônica da apresentação feita pelo presidente do IJSN, Luiz Paulo Vellozo Lucas.

Ele apresentou dados preliminares de diagnóstico da região na última quinta-feira (16), quando foi criado o Conselho de Desenvolvimento da Região Central Sul, no auditório do Sesi Senai.  Luiz Paulo fez um verdadeiro chamado a se pensar fora da caixa, em maneiras de fomentar o desenvolvimento a partir da iniciativa privada, que deve dizer o que é importante para a microrregião.

Em sua avaliação, dois são os projetos estruturantes que, atrelados ao que a região já possui, em belezas naturais, história, cultura e gastronomia, poderiam alçar o turismo regional a outro patamar: a reativação da Estrada de Ferro 118 e a implantação de aeroporto regional, capaz de receber voos regulares de São Paulo e Rio de Janeiro.

Ele, no entanto, atribui ao planejamento regional e plano de negócios desenvolvido a partir dele as maiores chances de fazer com que empreendimentos como estes saiam do papel com participação da iniciativa privada e recursos do BNDS. "Não é prioridade para o transporte aéreo nacional, mas é para a região", exemplifica.

As prefeituras também terão suas ações potencializadas com a criação de consórcios municipais, que possam integrar as políticas públicas na opinião do secretário de Estado de Planejamento Álvaro Duboc. "A proposta é pensar a partir dos desafios e oportunidades locais. Encontrar mecanismos que possam integrar esses interesses".

Duboc também lembrou que as regiões com projetos mais adiantados sairão na frente e podem ser beneficiados pelo Fundo Estadual de Infraestrutura, que viabiliza a realização de projetos e a aplicação de recursos para dar suporte financeiro e auxiliar as melhorias na infraestrutura estratégica do desenvolvimento de obras no Estado do Espírito Santo, por meio dos recursos provenientes das parcelas retroativas do acordo firmado entre a ANP e a Petrobras.

Serão cerca de R$ 1,5 bilhão, que além de obras, poderão ser utilizados para incentivar as empresas que atuam no Espírito Santo ou fora dele, desde que a sede esteja em solo capixaba.

O coordenador executivo do Plano, o subsecretário Paulo Menegueli, explica que o objetivo do conselho é criar ambiente de articulação, integração de interesses das microrregiões, a partir das vocações, desafios e oportunidades identificadas para cada área. E, dessa forma, buscar o desenvolvimento regional integrado de forma equilibrada e sustentável.

"Com a implantação dos conselhos, vamos ouvir as demandas da microrregião e a delas será possível executar ações que garantam o desenvolvimento de forma equilibrada e sustentável", explica.

 

Conselho de desenvolvimento

O prefeito de Cachoeiro Victor Coelho foi escolhido presidente, e o de Vargem Alta, João Altoé, o segundo chefe de Executivo municipal a integrá-lo. A vereadora cachoeirense Renata Fiório e o presidente da Câmara de Atílio Vivacqua, Claudio Bernardes, vão representar os legislativos municipais.

Dos oito municípios, apenas quatro prefeitos estiveram presentes, além dos eleitos, os de Atílio Vivacqua, Josemar, e o de mimoso do sul, Ângelo Guarçoni, o Giló. Além de vereadores de Cachoeiro, compareceram representantes dos setores produtivos.

Também indicarão representantes a Assembleia Legislativa, o próprio governo estadual, com duas vagas cada, cinco do setor produtivo, quatro de movimentos sociais e 12 de instituições de ensino. Este é o primeiro conselho que será implantado, num total de nove.

O objetivo do conselho é colaborar para a confecção do Plano Regional de Desenvolvimento. As próximas reuniões devem ocorrer em junho.

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