E dai que você está só? - Jornal Fato
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E dai que você está só?


E daí que você está só? Você preferia estar numa relação amarga, onde a cumplicidade acabou e o que sobrou foram cobranças ácidas e reclamações tóxicas? Você preferia estar numa relação neurótica, onde há gritos e xingamentos, ofensas e descomposturas? Você preferia estar numa relação abusiva, com chantagens e manipulações, com violência emocional e física, deitando com um vampiro que chupa sua alegria de viver? Você preferia estar numa relação anoréxica, onde não há confiança, onde a magreza da alma é o resultado de traições e mentiras, de escusas e joguetes perversos? Você preferia estar numa relação retalho, onde o outro se dá por partes, onde você não é prioridade e o que lhe sobra é apenas um pedaço da pessoa? Você preferia estar numa relação berçário, onde se tem que cuidar da infantilidade do outro que nunca cresce, que insiste em andar com fraldas na mente e mamadeira na boca? Você preferia estar numa relação patológica, onde a doença de um alimenta a insanidade do outro, onde a simbiose do ser mixou o que havia de pior em ambos, de tal forma que um faz o bem ao outro fazendo o mal de cada dia? Você preferia estar numa relação sem sintonia, onde as estações não combinam, onde os gostos são díspares, onde não há encontro nem de corpo, nem de alma, nem de espírito? Você preferia estar numa relação blazé, onde todos os apetites pelo outro foram se perdendo ao longo do caminho e mantém-se o convívio apenas por questões financeiras e patrimoniais? Você preferia estar numa relação promíscua, onde o sexo é feito mecanicamente, tendo um na cama e outro na mente, onde o corpo está no lugar e o coração viajando numa outra órbita? Ora, meu amigo(a), eu vejo isso todos os dias, vejo gente que seria muito melhor se estivesse solitário, tendo reverência por si mesmo, seguindo seu caminho com paz e quietude no ser. Como bem disse Fernando Pessoa: "A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo". Celebre o fato de não ter se rendido ao comércio do amor, a negociata da paixão, ao tráfico do sexo! Sim, você é um sobrevivente de um mundo sem sentimentos, onde conviver com o outro, não raro, é apenas viver uma solidão a dois, como bem afirmou o poeta...

 

 


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