Dia Mundial da Água: uma reflexão sobre o Rio Itapemirim | Vídeo - Jornal Fato
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Dia Mundial da Água: uma reflexão sobre o Rio Itapemirim | Vídeo

Em menos de seis anos, rio teve a pior vazão e a maior cheia da história. Afinal, o que está acontecendo? O que fazer para melhorar a convivência com o curso d'água fundamental para a região?


Neste dia 22 de Março, é comemorado o Dia Mundial da Água. A data, instituída pela ONU, em 1992, nunca esteve tão em evidência no sul do Espírito Santo. As enchentes e alagamentos dos últimos anos, em municípios da bacia do Rio Itapemirim, impressionam. Mas há seis anos, o problema era outro. Em outubro de 2015, a vazão medida de 8 mil litros de água por segundo, o pior nível registrado desde 1935, ano em que a companhia de abastecimento de água e esgoto de Cachoeiro de Itapemirim - hoje BRK Ambiental - começou a realizar o monitoramento do rio. O que explica tanta variação?

"Se a gente não começar a pensar em reconstruir a forma como tratamos nossos recursos naturais, vamos ter cada vez mais impacto. Com o aquecimento global e o desequilíbrio do planeta, temos cada vez mais chuva e cada vez mais seca. Ou seja, chove muito hoje, mas pode ser que em dois meses tenhamos seca. E começamos a sentir as consequências", explica a ambientalista Dalva Ringuier.

Soluções são propostas em um plano elaborado pelo Comitê da Bacia do Rio Itapemirim, composto por representantes do poder público, sociedade civil e usuários. O objetivo é de que os múltiplos usos deste recurso natural estejam equilibrados, favorecendo as gerações presentes e futuras.

"A água é bem fundamental para a manutenção da vida no planeta. Muitas atividades industriais, agropastoris dependem dela. O corpo humano é 70% composto por água. Esse recurso natural conecta várias políticas púbicas fundamentais para a qualidade de vida da sociedade. É importante que eu e você possamos contribuir para a manutenção, qualidade e disponibilidade deste recurso natural tão precioso", fundamenta a bióloga Carina Prado da Silva, presidente do Comitê da Bacia do Rio Itapemirim

Dalva acrescenta. "Nós só temos 1% de água doce (disponível) no planeta. E esses recursos estão altamente contaminados e comprometidos com o mau uso que nós fazemos. Uso do solo, crescimento das cidades. Invasões das margens dos rios. É muito importante que a gente entenda que todo processo de desenvolvimento, crescimento, do ser humano, está diretamente ligado à água. A produção agrícola, o abastecimento humano, de animais, indústrias. Tudo está ligado".

Porém, por séculos as preocupações com a preservação do meio- ambiente inexistiram. O resultado disse é sentido nos desastres naturais. "Hoje temos vários reflexos dos desmatamentos, da ocupação desordenada, que aliados a fenômenos climáticos provocam tantos prejuízos à sociedade, como inundações e enchentes", avalia Carina.

O consultor ambiental Luiz Carlos Piassi relaciona que os danos causados pelas águas nas grandes enchentes à forma como se deu o crescimento urbano. Ele compara o rio a uma calha natural que, projetada para comportar determinado volume de água, transborda quando a precipitação excede a proporção do curso d'água.

"Se a gente analisar a história dos municípios capixabas, vamos perceber que em Castelo, Cachoeiro, Muqui, Mimoso, as igrejas, quando construídas bem lá no passado, eram nos altos dos morros. Justamente para demonstrar à sociedade o Altíssimo, mas também com intenção de proteger das águas", compara.

 

Matas, tratamento e consciência são a solução

À margem do Rio Itapemirim, em Jerônimo Monteiro, o diretor de meio ambiente da BRK Ambiental, Paulo Breda explica que é essa água que abastece 17 municípios da bacia hidrográfica. "Por isso é que devemos cuidar de que nossos esgotos sejam tratados e todas as nossas nascentes sejam cuidadas para que nós tenhamos água em quantidade e qualidade.  Para que tenhamos saúde".

E para que a água existe em abundância é preciso preservar as nascentes e cuidar do reflorestamento para que parte da água da chuva possa ser retida no solo e aos poucos seja liberada para alimentar os rios. Plantar água e plantar consciência.

"Nós teríamos que ter no mínimo 20% de cobertura florestal ao longo da bacia do Rio Itapemirim. Temos 7%, portanto, um déficit de 13 pontos percentuais, para o mínimo. Qual a importância da floresta? Ela segura a água da chuva, que infiltra no solo e abastece as nascentes que dão origem aos pequenos córregos e riachos que formam o grande leito que, na verdade, é o Rio Itapemirim", explana Dalva Ringuier.

Em todo o mundo, mais de 1,4 bilhão de pessoas não têm acesso à água. Deste total, 450 milhões são crianças. E é nesse público que as campanhas têm focado esforços. Em Alegre, sul do Espírito Santo, Newton Campos é um plantador de água. Após herdar uma propriedade de sua família, transformou a região e dá uma lição de respeito à natureza para as futuras gerações.

"O 'plantar água' é fazer essas nascentes produzirem mais e ajudar as nascentes a não secar em períodos não chuvosos. Aprendemos com a natureza que plantar água não é plantar árvore, é colher chuva e guardar essa chuva para épocas de seca", conta Newton Campos.

Para Piassi, a boa notícia é que, nos últimos anos, a consciência ambiental relacionada a esse tema cresceu muito. "Gerações de crianças e jovens não aceitam mais impactos ambientais provocados pela humanidade. Discutem isso na escola, entre os amigos, na sociedade. Com certeza teremos uma juventude muito mais consciente em relação a esse tema, do que nós, que somos um pouco mais velhos", constata.

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