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Da janela do quarto dá para ver a rua, embora haja grades, elas não prejudicaram a minha visão


Da janela do quarto dá para ver a rua, embora haja grades, elas não prejudicaram a minha visão. O sol está a todo instante esquentando quem quer que seja ou ande pela rua. É, o verão chegou sem ser verão oficialmente. Bom, as coisas são assim, meio incertas com certezas. Por exemplo, em um "Stand Up", você não sabe que piadas o humorista irá contar, mas sabe que dará boas risadas.

Algumas coisas são mesmo revoltantes, nem sempre o ciclo seguirá a mesma rotatória. Muda-se a geração, muda-se a estação, muda-se a expressão, mas algumas coisas sempre ficam, aquelas velhas percepções sobre tudo.

Às vezes mudar a direção no meio do caminho não é recomeçar, é ser maduro o suficiente para perceber que permanecer intáctil de opinião, de posição, de pensamento todo sempre, não leva adiante.

Às vezes queremos ser indestrutíveis, inabaláveis, mas infelizmente não somos.  Podemos até fingir ser assim, mas vai chegar um momento em que vamos querer um colo e isso não é errado. 

Nossa vida deveria ser como a descrição que uma professora minha fez enquanto eu frequentava o colégio. Em uma de suas aulas, ela disse que o ensino deveria ser como se estivéssemos construindo uma colcha, vamos costurando, costurando e costurando e se no meio algo der errado, desmanchamos e começamos novamente.

Com a gente deveria ser a mesma coisa, vamos indo, porém se alguma coisa não sair como o planejado, mesmo contra nossa vontade, o que nos resta é desmanchar essa colcha e começar novamente, comprar outra linha, de outra cor, e começar de novo. Talvez não seja fácil, e realmente não é, mas ninguém disse que seria.

O caminho pode até parecer meio às cegas, mas nunca se está caminhando sozinho, existem muitas pessoas que estão ao nosso lado prestes a nos dar a mão. Por outro lado, tem aqueles que estão de mãos dadas com a gente e que NUNCA irão soltar. E esse nunca, é realmente verdade.  E todo sofrimento fica pequeno, porque você sabe que tem alguém que precisa do seu sorriso para seguir.

As pessoas são simples e complexas em suas expressões, elas podem até se assemelhar às outras, mas nunca serão idênticas, porque cada gosto, pensamento, posicionamentos por mais parecidos que sejam jamais caracterizarão uma mesma pessoa. São ímpares em suas simplicidades.

Da janela do meu quarto dá para ver como as coisas são singulares, simples e complexas. Querer entendê-las perde a direção, porque elas não foram feitas para ser entendidas e sim para serem vividas.

 


Caroline Fardin Araújo Professora de Língua Portuguesa

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