Um sábado na colina - Jornal Fato
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Um sábado na colina

Era o sábado de verão. Estava com meus amigos no sítio do meu tio


Era o sábado de verão. Estava com meus amigos no sítio do meu tio. Naquela noite exatamente como acontecia nos outros anos, resolvemos subir a colina. O vento corria solto, balançava as folhas das árvores, incrivelmente, forte. A pequena fogueira que fizemos não era para nos aquecer, e nem para iluminar, a lua já fazia esse trabalho por nós é claro, era mesmo, para afastar os supostos animais que ali poderiam aparecer ou atrair outros.

Tínhamos um bom vinho, um violão, músicas e amigos jogando conversa fora, a noite estava relativamente boa. Mas eu permanecia distante de mim. Então, fui andar, segui as trilhas, até encontrar uma pedra muito conhecida por mim. Permaneci sentada olhando para o céu e ouvindo de longe a canção que meus amigos tocavam, quando algumas folhas se mexem e vejo que não estava só, uma serpente apareceu, ela que põe medo em todos poderia me atacar a qualquer instante, porém eu continuei ali.

Eu não estava em pânico, terror ou com qualquer outro sentimento. Estava me pondo a pensar e a refletir sobre coisas, passados e sensações. A vida corria em disparada e eu só permanecia ali, observando o que a noite trazia de mais lindo e imutável.  

Durante tempos eu estive rodeada de pessoas, e sozinha ao mesmo tempo, a cobra colocava medo em quem quisesse e sempre esteve sozinha também. Fiquei ali, não tinha para onde ir. A serpente me fitou com seus sonhos e eu a observei. Estava aflita, não por sua presença, mas pela direção que minha vida seguira, só não queria mais fugir. Solidão por solidão, pelo menos nós nos faríamos companhia uma à outra. Essa seria diferente, mas educadora de alma. Voltei para a roda dos meus amigos com vontade de ser o que não fui durante muito tempo.


Caroline Fardin Araújo Professora de Língua Portuguesa

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