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Posso compreender as mulheres

Questiona-se porque tantas mulheres que sofrem violência doméstica não denunciam seus companheiros


Questiona-se porque tantas mulheres que sofrem violência doméstica não denunciam seus companheiros. Há poucos dias li a comparação entre as mulheres e os cães que são abusados. Estes podem atacar revidando, fogem ou ficam paralisados tamanho o pavor diante de quem os ataca. Da mesma forma acontece com as mulheres, só que devido a fragilidade física é difícil atacar, e por temer o que possa acontecer aos filhos, elas desistem da fuga, daí a terceira opção é a mais viável.

Existe um estudo, também feito com cães, que pode explicar a perda do instinto de auto defesa da mulher. Os cientistas colocaram um cão numa grande gaiola e instalaram fios elétricos do lado direito. Todas às vezes que o cão se dirigia ao lado direito ele levava choques, até que ele desistiu e se posicionou só do lado esquerdo. Então os fios foram trocados para o lado esquerdo e o cão ficou desnorteado até que entendeu que do lado direito estava seguro. Daí os fios foram instalados em toda a gaiola. E o cão desesperou-se, fugia de um lado para outro, ficou em pânico, levou inúmeros choques até que entregou os pontos, caiu no fundo da gaiola, exaurido, desanimado, ofegante e alí ficou tomando choques intermitentemente.

Na sequência do experimento os cientistas deixaram aberta a porta da gaiola e imaginaram que o cão fugiria imediatamente, o que não ocorreu. Este continuou caído e recebendo choques no fundo da gaiola. O trauma psicológico que sofrera deixou o cão tão lesado que ele perdeu o instinto de proteção e ficou paralisado e sem condições de reagir. Ele fora submetido ao aprendizado da impotência.

Assim acontece com as mulheres que sofrem violência doméstica. No início passam pelo choque de se sentirem violentadas por quem elas confiaram e entregaram a vida e o amor. Além da vergonha de reconhecerem perante a família e a sociedade que são vítimas de violência, aliado ao sentimento de culpa que acompanha as mulheres desde sempre: o que fiz para merecer isso? E a angústia de sentir-se incapaz para proteger os filhos da situação de violência que sofre e que eles testemunham. Finalmente vem a paralização, a sensação de impotência, a renúncia à vida, a desistência, a desesperança total. Uma mulher numa situação semelhante não merece ser julgada. O que ela mais precisa é apoio e consideração.

 

Marilene De Batista Depes

 


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