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O que era a era Lula

Eu me lembro bem das eleições de 2002. Eu, um garoto, nos primeiros anos de faculdade...me lembro de em algum momento nas aulas de ciência politica


Eu me lembro bem das eleições de 2002. Eu, um garoto, nos primeiros anos de faculdade...me lembro de em algum momento nas aulas de ciência politica do meu curso de Relações Internacionais discutirmos sobre as circunstâncias em que Lula assumiria o governo.

O ambiente social e econômico era de incertezas...FHC chegou ao fim do seu segundo mandato sob insatisfação popular e pressão por pedidos de impeachment, essa palavrinha gringa que permeia tanto nossa história presidencial.

Me lembro do Lulinha paz e amor, a alcunha que ele recebeu pra justificar sua guinada politica, seu trato na sua imagem, sua polida no casco pra se tornar palatável ao público cristão.

Na época havia um temor gigantesco sobre a incógnita profunda que representava a ascensão de um populista de esquerda ao poder. Muitas e muitas reportagens diziam do temor de Wall Street sobre que rumo politico o Brasil iria tomar.

Ai veio o comunismo light. O socialismo em sua melhor forma: absorvendo todas as benesses do sistema capitalista para inchar o estado com o assistencialismo barato pra quem recebe e caro para as contas públicas.

No meio das incertezas Lula se consolidou. Muito pelo tiro certeiro em dar continuidade as premissas macroeconômicas lançadas por FHC e por aproveitar o cenário positivo de ascendência dos paises tidos a época como emergentes, campo de batalha das super potências para expandirem seus investimentos e área de influência política.

Agora, o ponto cabal de sustentação de Lula que considero como decisivo: o unânime apoio popular ao governo.

Em épocas de não acirramento de conflitos ideológicos, Lula teve carta branca popular para implantar sua pauta socialista sem nenhuma resistência política.

Não que o povo estivesse dormindo, não que não entendesse sobre os possíveis danos. É que de modo empírico no Brasil, as teses socialistas nunca tinham sido testadas de modo tão amplo como no governo Lula. Os tentáculos da esquerda tiveram oportunidade única para invadir a saúde, educação, gestão pública, relações internacionais...tudo quanto é canto da vida brasileira começou a se inspirar nas idéias marxistas de poder. Sai a Biblia, entra Marx. Foro de São Paulo, aproximação com Cuba e ditaduras africanas, afastamento aos Estados Unidos e ligação quase umbilical com a China. O fortalecimento de milicias armadas travestidos como movimentos sociais: mst, mtst, cut, une, mlb...ixiiii! Cada sigla dessa ai comeu milhões de grana do estado.

O fato é que não houve resistência. É por isso que a esquerda brasileira ativou essa palavrinha de repente. É porque certamente em suas reuniãozinhas táticas de gabinetes e portas trancafiadas José Dirceu já deve ter virado pra Lula e dito numa reunião qualquer: "'Cumpanheiru' nós só estamos conseguindo avançar tanto porque estamos sem nenhuma resistência."

Bem, pra não escrever um livro aqui me contenho a dizer que não é a toa que veio a tona o mensalão...toda a "não resistência" apurada fora de apoio comprado. Com números econômicos favoráveis, com o povo a favor, ganhando um dinheiro por fora, quem é que não seria a favor?...e assim foi.

Passados todos esses anos e olhando pra trás conseguimos examinar o estrago que fora feito em nossas contas públicas, em nosso sistema educacional, em nossos serviços públicos de maneira geral.

E diferente do que ocorreu em 2003, 2019 não conta com esse apoio popular favorável. A esquerda aprendeu o que quer da vida, coisa que não conhecia antes de Lula, e acostumados com as benesses de 16 anos no poder não vão ceder tão fácil a um novo experimento. Por isso são tão ruidosos, tão combativos, tão ignorantes e antipáticos.

Antes, não tinham elementos para embasar sobre o que queriam. Hoje tem. Se são legítimas ou não suas reivindicações não sabemos. Mas sabemos que sua intransigência nunca permitirá que um sistema diferente de suas premissas governe em paz. Podemos esperar muitas sabotagens e ataques por parte da esquerda. Essa gente defende mais seus próprios interesses do que os interesses do país.

Por isso a linguagem hostil de Bolsonaro. Por isso o comportamento enfático. Por isso palavras rudes.

É preciso falar de modo que seus oponentes compreendam.

Vamos trabalhar, esperar e torcer para que tenhamos momentos de paz e congraçamento patriótico num futuro próximo. Afinal foi pra isso que o povo brasileiro elegeu o novo governo.


Bruno Ramos Empreendendor Analista de Relações Internacionais graduado pela Universidade Vila Velha - UVV

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