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Minha parte

Não inventei palavras de amor


Não inventei palavras de amor,

não denunciei saudades,

embora aqui gritasse.

Não trouxe recados de loucuras e

não ousei chorar.

O mundo está sempre anunciando sentenças

e preparando momentos surpresas.

Nunca procurei sossego, no caos me crio e equaciono.

Faço embrulhos e enfeites e me dou de presentes.

Já guardei bastantes deles no porão.

Lá, ainda reluto em morar, embora construa casa.

Alinho roupas que um dia

couberam em mim.

Mudei... um corpo um pouco maior, às vezes menor, disforme.

Meu corpo denuncia o que caminha

dentro.

Não pretendo deixar coisas no porão por tanto tempo.

Também não desejo comercializar minha casa.

Quero um cenário pra chorar e gargalhar, ainda que sensações se espalhem.

Sinto falta de gente...de pessoas que já me habitaram.

O amor não é leite quente, que esquenta as noites frias.

Amor é gosto, é prazer, é nascer, é morrer.

Vim pra isso. Gosto do amor.

Adoro quando chega sem campainha ou endereço marcado.

Adoro quando repousa, de mansinho, e me acaricia.

É isso que reivindico.

Partes pomposas da vida.

Espaço - poesia - existência - amor.

Amor. Sempre!


Simone Lacerda Professora

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