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Fiquei sem carro por uma semana


Fiquei sem carro por uma semana. Um acidente. Descuido de segundos, fruto do cansaço mental, falta de concentração, algo que não deve ser permitido ao motorista. Se o descuido e desconcentração existem sem uma razão aparente, podemos imaginar após uma noite mal dormida, uso de álcool, outras drogas ou uma velocidade maior que a permitida. Não é preciso imaginar. Temos certeza que acidentes acontecerão. A prevenção deve ser ensinada pelas autoridades e responsabilidade de cada cidadão. É o que se pede para um país e mundo que têm o carro como meio de transporte e símbolo de poder. Com isso em mente, resolvi não usar carro de reserva do seguro. Experimentei as ruas de Cachoeiro.

Algo de novo acontece nas cidades, Europa mais ainda: o carro deixou de ser a referência na mobilidade urbana. Deixou de ser sinal de poder ou de glamour. O bacana, o diferente e moderno é usar a magrela, a famosa bicicleta dos nossos tempos de criança. Cidades como Amsterdã, Paris e Berlim priorizam as ciclovias, facilitam a vida e incentivam crianças. E o Brasil? Estamos na contramão! Incentivamos venda de carros. Damos incentivos às indústrias automobilísticas. Produzem carros para o mercado interno, ruas lotadas de veículos. Exportamos pouco, importamos muitos. Com estradas e ruas mal conservadas, nos acidentamos mais, possuímos índices absurdos de sequelas físicas. Carros mais velozes e uso de álcool e outras drogas em demasia. Carros produzidos sem os itens de segurança adequados, americanos e europeus não aceitam, mas servem para os brasileiros. Em Cachoeiro? Nada diferente do resto do país. Mas não precisamos esperar que o Brasil mude, podemos alterar comportamento e postura. Pensei nisso e resolvi experimentar. É verdade que os dias estavam propícios, o clima estava ameno e convidativo para as caminhadas de casa para o trabalho e outros locais do centro da cidade. Enquanto caminhava pela beira do rio Itapemirim, e observava os transeuntes, pensava...

Pensei nas notícias do mundo, Europa em especial. Possuem ciclovias, incentivam o ciclismo. Na América do Sul: Buenos Aires. Na Alemanha, a venda de carros diminuiu, não por problemas econômicos e sim, pela opção. A indústria automobilística reage com o marketing. Algo semelhante à luta contra o tabaco (acidentes de carros e uso de cigarro são problemas de saúde pública). Enquanto caminhava, vi a dificuldade de ciclistas, disputando espaços com os carros nas ruas de Cachoeiro de Itapemirim. Caminhava com dificuldade pelas calçadas irregulares. Vi trabalhadores chegando ao trabalho, a pé ou de bicicletas. O caminho para a mobilidade humana parece ser a dificultação da chegada, circulação e estacionamento de carros no centro da cidade. Facilitação da passagem de bicicletas e pessoas pelas ruas da cidade. Proteção para sol e chuva para os que desejam caminhar. Transporte coletivo para as distâncias maiores. Algo utópico? Talvez. Pior é o nosso marasmo, setor público e sociedade, nem sequer discutimos o assunto.

 

Sergio Damião Sant´Anna Moraes

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Sergio Damião Médico e cronista

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