Liberdade, liberdade - Jornal Fato
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Liberdade, liberdade

Na minha zona de conforto, minha área de atuação, tiro de letra


Acho que estou crescendo. Tardiamente talvez. Tenho feito coisas que nunca fiz. Algumas deliciosas, diga-se de passagem. É a linda e maravilhosa liberdade. Tenho enfrentado situações das quais sempre fugi. Essa semana, por exemplo, o pneu do carro furou. E os mais próximos sabem que esse imprevisto sempre me assombrou. Não sei trocar pneu e nunca me interessei em aprender. Mas deu tudo certo. Tinha um borracheiro na hora e local certos. Já estava lá quando cheguei. Providência divina, penso eu. Tudo resolvido. E a partir desse fato, passei a pensar no que é barato ou caro e vejo que depende do olhar e da necessidade.

O borracheiro me cobrou R$ 20,00 para reparar o pneu, fez a troca e saí agradecida porque o problema foi sanado sem que eu precisasse arrancar os cabelos nem externar o meu pavor, contido a duras penas. Preço justo, considerei. Pagaria se não fosse justo. Há horas em que é pagar ou pagar, sem choro nem vela.

Imprevistos dessa natureza ainda me assustam. Não sei lidar com eles, mas estou aprendendo. Na minha zona de conforto, minha área de atuação, tiro de letra. Sei gerir as crises com relativa competência. Mas as circunstâncias desconhecidas impõem novas atitudes. Realmente tenho aprendido a lidar com isso.

Assustada, às vezes ansiosa, mas sempre disposta a aprender, reaprender, recomeçar. Faz parte da vida. Não há outra alternativa ou caminho fácil. Realmente novos desafios e novos tempos. Tenho gostado da experiência. Sei que vale a pena. É um aprendizado que permite novos olhares sobre fatos até então negligenciados.

E quer saber? Essa liberdade tardia tem me feito bem. Preciso aprender melhor a lidar com ela, mas poder ir além, dar mais um passo, fazer descobertas surpreendentes, é muito bom. Ótimo, diria. Sempre em boa companhia, que estar só não faz bem, embora continue me dando ao direito de ouvir silêncios. Eu me permito ir ou ficar. Tão bom ser dona do nariz. Realmente libertador.

Então, se há um conselho que posso dar a quem precisa recomeçar, seja pela circunstância que for. Siga em frente, de cabeça erguida. Tudo passa. Ouvi isso tantas vezes, mas no momento de dor e sofrimento parecia impossível que fosse verdade. Mas é. Há vida após o caos, independentemente da situação.

Porque se tem uma coisa que hoje me é muito clara é a certeza de a vida está cheia de oportunidades. Basta estar atenta e com disposição para vislumbrar o novo, sem preconceitos. Sem vitimismo nem complexo de vira-latas. Tem muita coisa boa a caminho. Sei disso. Creio firmemente. E quando estas coisas chegarem, quero estar preparada para recebê-las de braços abertos, coração acelerado e brilho intenso no olhar.


Anete Lacerda Jornalista

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