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Filhos

O que são filhos? Descendência? Projeções hereditárias? Prolongamentos sucessórios?


Outro dia, ainda deitado, quase sonhando, ocorreram-me algumas indagações. Gosto de filosofia, sempre me apeteceu divagar sobre a origem de tudo e, dai, pus-me a pensar sobre uma delas: filhos! O que são filhos? Descendência? Projeções hereditárias? Prolongamentos sucessórios? Entendi que tais conceitos apequenavam a grandiosidade da interpretação. Deveras. Filhos, traduzidos em tantas línguas diferentes, diferentes, mas parecidos conosco, cada qual com sua cota de escolha e liberdade, exprimem muito mais do que aquilo que no coração vai a sentir. Citando Gibran: "...nos espremem até a mais extrema brancura..." Povoam nossas vidas. Fazem parte infindável e indelével delas. Talvez sejamos nós a arvore bendita, onde, antes flores, tornam-se frutos. Prosseguem, de onde paramos e, cá entre nós, fazem melhor, longe de obsoletos conceitos. Mesmo aqueles que não os tem, os inventa, e vive a maravilha da invenção. São grãos no enorme campo de centeio. Sementeiras e natureza esplendida. Tê-los, conclui, por certo, e viver em êxtase. Filhos, indubitavelmente, são advindos nas estrelas, de onde partem, para nós, como forma fulgurante do destino e a coruscante missão. Filhos!


Sou pequeno. Pequeno e perfumado. Carrego ao meu lado um arado de estrelas, onde transporto minúsculos vestígios, de tudo que gosto, diminuto. 

Sou assim e desse modo. Não me amola a altura, nem a mesura do que me oferecem. A mim, apetece-me pequenas criaturas, e seus imensos sentimentos. A esmola que sacia. 

Na curva oculta. Na rua onde não brilham pérolas. Réguas não me encantam, loucas e apáticas, tal a matemática que aplaca o amor. Sufoca. Amarga. 

Sou pequeno mesmo. Do tamanho de um equilíbrio diferente, feito na distância de toda opulência, e perto do perfume da fragrâncias de todas as plantas. 

Sou pequeno e sereno. Presenciando a esmo, minha torta trajetória, que gira, que roda, como gira a vida, como roda a vida, dentro de cada moeda que desprezo. Sou pequeno. Assim mesmo. 

Não me deem um espelho. Não me vejo na finitude do vidro, frágil como a vida, de uma vez, a cada vez que a olho, meus olhos brilham, depois lacrimejam, tingindo a face rubra. 

Sou pequeno. Escutem. Assim mesmo. Não há limites na pequenez.

 


Giuseppe D'Etorres Advogado

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