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Mulher, teu nome é resistência

Nada, ao longo da vida da mulher, foi ou é conquistado sem lutas


Nada, ao longo da vida da mulher, foi ou é conquistado sem lutas. Nem respeito. Temos direito ao voto porque lá atrás, em 1897, mulheres passaram a exigir a garantia de participar da vida política do país nos EUA.

Nomes como o de Millicent Garret Fawcett e Lydia Becker, fundadoras da National Union of Women's Suffrage Societies, nunca podem ser esquecidos.  Angela Davis, outra gigante que na década de 60 lutou incansavelmente pelos direitos das mulheres, também merece ser respeitada. Negra, ativista, feminista, professora e educadora americana, enfrentou a tudo e a todos por um mundo mais justo. Não havia alternativa nem caminho mais fácil. Esteve presa, mas as grades nunca foram capazes de aprisionar a sua voz, e o seu grito ainda hoje é ouvido. Vale conhecer a biografia dessa mulher de luta. Militante feminista que é, participou da Marcha das Mulheres na posse de Donald Trump. 

No Brasil, a escritora nordestina Nísia Floresta (pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto), obrigada a se casar aos 13 anos, a bióloga Bertha Lutz, fundamental na conquista pelo direito ao voto feminino no país, Mietta Santiago, a primeira mulher do país que votou e foi votada, a professora Celina Guimarães, a médica, pedagoga e escritora Carlota de Queiróz, que cometeu alguns equívocos no parlamento, mas foi a primeira deputada federal eleita em 1933.

Patrícia Galvão (Pagu), Laudelina de Campos Melo, Rose Marie Muraro, Djamila Ribeiro, entre tantas outras mulheres notáveis ou comuns, como eu e você, certamente escrevem e reescrevem nossas histórias todos os dias. Elas precisam ser conhecidas ou relembradas, contadas e recontadas.

O desrespeito nos atropela. Basta olhar para a Câmara Federal, em pleno Século XXI, discriminando a jovem deputada federal Tabata Amaral por ter ousado levantar a voz num lugar de fala que convencionou-se masculino, a política brasileira.

Ela já divulgou em suas redes sociais, e virou notícia, que é hostilizada pelos corredores do Planalto. É discriminada inclusive pelos porteiros, que perguntam se tem certeza de que não é deputada estadual. Aos 25 anos, ela dá show de competência e isso é imperdoável para uma parlamentar que ousa ser mulher, jovem e inteligente no mundo cão da política brasileira. Somos 52% do eleitorado brasileiro, mas raramente elegemos mulheres.

Temos mulheres de luta no Congresso Nacional e nas Câmaras e Assembleias país afora. Que fazem bonito. Outras nos enfraquecem por repercutirem discursos machistas e misóginos. Poderíamos exigir muito mais respeito se fôssemos em maior número e ocupássemos o nosso lugar de fala, como diria Djamila Ribeiro, e nos reconhecêssemos na luta de outras mulheres.

Mesmo assim, não seria fácil. Não foi, não é nunca será. Felizmente existem políticos comprometidos com as causas feministas nas Casas Legislativas e Prefeituras do país. Em Cachoeiro, o prefeito Victor Coelho está atento às questão do combate à violência contra a mulher.  A Câmara, que tem uma vereadora, e o seu presidente Alexon Cipriano e os demais vereadores, são parceiros importantes, o que é um alento.

A União Cachoeirense de Mulheres, que existe desde 1993, está sendo reativada e tem dado passos importantes. O Conselho de Direitos da Mulher é atuante. Tem muita gente envolvida na defesa dos direitos femininos em Cachoeiro e em breve podemos ter boas notícias. Levante a cabeça e lute como uma mulher. Nós sempre seremos resistência.

 


Anete Lacerda Jornalista

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