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Em tempos de fundamentalismo religioso e político e de guerras travadas em nome de Deus


Foto: Canção Nova

Em tempos de fundamentalismo religioso e político e de guerras travadas em nome de Deus, é bom lembrar que tem muita gente espalhada por aí que jejua, ora ou reza, que intercede pelo país e pelo mundo e que dedica a sua vida para cumprir o IDE de Jesus longe dos holofotes.
Homens e mulheres de fé que fazem diferença, somam, agregam valor e não estão indiferentes à dor do outro. Ama a teu próximo como a ti mesmo não é um versículo perdido da Bíblia, mas uma opção de vida e prática diária. 


O problema do descrédito do cristianismo, creio eu, é em função do mal uso religioso que vem sendo feito nos últimos tempos pelos mercadores da fé aboletados nos púlpitos das igrejas, que tiram proveito financeiro, social e político do trabalho pastoral e fazem uso eleitoral do rebanho para benefício próprio, saindo cheios de benesses para si e para os seus após uma campanha eleitoral vitoriosa.


Existem outros   oportunistas evangélicos que ocupam espaços de poder político Brasil afora e incentivam a exclusão, a discriminação e o preconceito e ferem em nome de Deus. Fazem uso das tribunas e ignoram o que ensina o cristianismo autêntico e genuíno. Esquecem que Jesus andou exatamente ao lado dos que eram considerados escória da sociedade. Mas esses não têm o que oferecer, então não entram na conta da maioria dos políticos "crentes" e são completamente invisibilizados.


Quando vejo contradição entre discurso e prática dos ditos homens e mulheres de Deus, chego a perder a esperança de que o cristianismo retome a força e a credibilidade dos tempos difíceis dos primeiros cristãos, que muitas vezes pagavam com a vida por sustentarem a defesa da justiça e do amor em nome do Rei dos Judeus.


Um rei sem riquezas, parecer nem formosura, mas cheio do poder vindo dos altos céus. Hoje, ao que parece, os líderes religiosos parecem priorizar o poder humano e o dinheiro. E aí me lembro que o exemplo nunca pode ser o homem, porque ele é falho. Muitas vezes por descuido, outras por canalhice e oportunismo mesmo. Mais do que nunca, em tempos tão sombrios, o alvo deve ser unicamente Jesus Cristo. 


Respeito homens e mulheres de fé que deixam rastros de luz por onde passam. Cuja presença é bálsamo, mesmo que não abram a boca. São presenças que trazem paz e aconchego. Que não julgam nem se colocam num pedestal de santidade que até possuem. Simplesmente cumprem a missão que receberam com amor, dedicação e humildade. Enfim, de servos que conhecem sua condição de servo e não querem usurpar o lugar de Deus, querendo para si todas as reverências.
Creio no poder da oração. Mas tenho profundo desprezo pelos que se intitulam porta-vozes de Deus, mas deixam pelo caminho um rastro de podridão e cheiro de enxofre muitas vezes imperceptíveis aos desatentos que observam apenas a aparência. Que Deus nos proteja dos publicanos e fariseus dos dias atuais. Quem em 2020 o cristianismo renasça com toda a sua força e nos salve do obscurantismo. Amém.

 


Anete Lacerda Jornalista

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