Literatura crônica - Um ano de Arame farpado! - Jornal Fato
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Literatura crônica - Um ano de Arame farpado!

Meu coração anda transbordando estes dias. Estou cheia de emoção e amor que andam escapando pelos poros, pelas palavras, pelos olhos e coração


 

Meu coração anda transbordando estes dias. Estou cheia de emoção e amor que andam escapando pelos poros, pelas palavras, pelos olhos e coração. Minha escrita sempre caminhou comigo, embora, de tempos em tempos, costumo deixá-la mais a margem, deixo de regar a alma e assim ela entra num estado de secura, esgotamento e rugas.

Mas, neste momento, tenho deitado as mais robustas e belas palavras ao meu lado, em um enamoramento apaixonante. Ela traz para perto experiências singulares e pessoas que desejam a literatura em abraço.

Nesta semana de lançamento do meu primeiro livro Arame farpado (remete a 28/10/2017), encontro-me em espírito de gratidão, de convencimento na crença do divino - Deus - na tolerância quando sinto que tantas coisas me escapam e no respeito às minhas frestas e lacunas que sei jamais se completarão. E isso também me permite dizer por que estou desejando e esperando.

A ausência se converte na minha poesia, na forma de não dizer as coisas e, por tantas vezes, acaba aflorando e sobressaltando o outro nas palavras que mais sugerem do que definem. Aliás, não quero sentenças e amarras. Quero que o rio escorra, o verso ecoe e a alma se misture a vida, faça massa, cresça o bolo.

A literatura é a forma que existo, mistifico o improvável e crio casos de amor e de ódio com a existência. Há um estado de simbiose poética entre nós, o gozo de corpo e espírito. Ela é a parte mais linda que fomento, é a voz macia que toca meus ouvidos.

A literatura é indispensável para tornar a vida mais suportável, com menos ressacas e de esperanças amontoadas. E isso me alimenta, abastece as emoções e revigora o que tem ressecado. Arame farpado é a presença do corpo poético, é a forma que mantenho cravadas minhas perspectivas e minha contemplação para o sujeito.

Sou grata na alma e no coração porque há a arte e os leitores que me lêem semanalmente. Àqueles que torcem profundamente a cada conquista, que misturam minhas palavras as suas, que solidarizam com meu discurso e o evocam em tantos outros. Meu "filho parido" voará em outros mundos como todo filho que se amplia, se desloca, se propaga. É assim que o sinto? a cria já desmamada e que, neste momento, já dá seus passos. O legado de uma obra literária se estende no outro, nos hemisférios e cenários criados a partir do encontro do leitor com as verdades e as emoções transfiguradas em palavras. Sou agraciada por ter a preciosidade da poesia.

 

Obs: Sem a grande oportunidade dada pelo Jornal Espírito Santo de Fato, não estaria aqui para, novamente, agradecer. É lindo ver o papel desempenhado por este jornal para com os escritores e artistas locais, dando voz e espaço para quem, ainda, é um mero desconhecido. Estou com a alma encharcada de gratidão e orgulho por fazer parte deste jornal, por poder construir minha história e contar muitas outras, com o generoso apoio deste grande veículo de mídia. Grata sempre e vida longa, com muita poesia!

 

Obrigada, também, a todos vocês leitores pela generosidade e pelo afeto.

(texto produzido em comemoração ao lançamento do livro - 28/10/2017)


Simone Lacerda Professora

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