Lacombe lota auditório em bate papo sobre poesia - Jornal Fato
Cultura

Lacombe lota auditório em bate papo sobre poesia

A escritora Hellenice Ferreira também compôs a mesa com o jornalista global no segundo dia da Bienal


O jornalista da Rede Globo e escritor Luís Ernesto Lacombe atraiu um grande público em duas rodadas de conversa na Mesa "Viver com Poesia", realizado ontem (16/05), pela manhã e à tarde, no Auditório "Marco Antonio de Carvalho", dentro das atrações da 7ª Bienal Rubem Braga, que acontece desde 15/05 à 20/05 na Praça de Fátima, em Cachoeiro.

Apesar de o foco ser a Poesia, a conversa discorreu sobre a Literatura e a Leitura em geral, bem como sobre como estas compõem a formação do sujeito e são importantes para fazer cada um se tornar o que é.

A mesa também foi composta pela escritora e professora carioca Hellenice Ferreira, autora de 15 livros, especialmente infantis, e a conversa foi mediada pelo cachoeirense, também escritor, Roberto Al Barros, que possui quatro obras publicadas.

Ambos convidados fizeram questão de ressaltar aos presentes, a maioria alunos da rede pública municipal, como foi o acesso à leitura na Infância, como criou-se o amor pelos livros e  o hábito da leitura e como isso influenciou acadêmica e profissionalmente cada um.

Lacombe detalha sua trajetória de leitor: "Quando pequeno eu gostava muito de Monteiro Lobato e das aventuras de Tom Sawyer, mais o gosto pela poesia veio de um avô, que era membro da Academia Brasileira de Letras e tinha uma biblioteca gigantesca, onde eu dei importantes passos no mundo das Letras, com grandes descobertas e que me fizeram ser quem sou", contou.

 

Resistência paterna

 

O jornalista Luís Ernesto Lacombe enfrentou muitos obstáculos para chegar até aqui, especialmente as determinações da família para ele. Seus planos eram Literatura, mas o pai "recomendou" (Ciência da) Computação, que necessitava de uma base matemática encontrada em Estatística.

"As duas faculdades não deram em nada", riu. "Depois entrei na fase atleta, jiu jitsu, praia. Terapia mudou minha vida. Apesar de amar Letras acabei cursando um ano de Psicologia. Deu errado de novo. Então resolvi enfrentar meu pai", disse.

O pai disse que já que ele queria escrever que fizesse Jornalismo então. Levado por um professor chegou à Bandeirantes, depois a extinta Manchete e por fim a Globo, onde se consagrou na área Esportiva.

"Nós temos que saber o que escolher, porém isso só é possível com um auto conhecimento e com a leitura, essa fundamental. É preciso se formar um leitor, é preciso se fundamentar, se embasar para a vida. E não devemos ceder à pressões, por que se não escolhemos caminhos impróprio para as nossas vidas e nos tornemos maus profissionais", recomendou à plateia eminentemente jovem.

 

Cartas para Elisa

 

Este é o título do primeiro romance lançado por Lacombe e narra o drama de sua família, de ascendência germânica-judaica, quando da fuga de seu avô Erns, de onde vem seu nome do meio, Ernesto, para a França e depois a vinda para o Rio de Janeiro em 1933.

A família nunca tocava no assunto, de tão tenebrosas as lembranças do Nazismo. Quando sua avó morreu, descobriu-se cerca de 300 cartas em seu acervo, escritas pela bisavó Elisa, que tinha ficado na Alemanha, para o filho Erns, narrando planos de fuga para diversas partes do mundo.

Toda família do jornalista e escritor tem cidadania brasileira e germânica e uma de suas irmãs que mora há 24 anos na Alemanha traduziu as cartas, após quatro anos. Daí então foi que surgiu a idéia do livro recém lançado.

Lacombe possui outros quatro livros de sonetos, inclusive infantis.

 

Cachoeiro encantou convidados

 

Tanto Lacombe quanto a professora Hellenice fizeram questão de destacar a grandeza cultural de Cachoeiro, especialmente os seus grandes ícones, "Rubem Braga, o maior cronista brasileiro, e Roberto Carlos, o maior cantor do Brasil", resumiu Lacombe.

E continuou, "conhecer a Casa dos Braga foi inspirador e vocês devem ter orgulho de tudo isso, de ser de Cachoeiro, de ser da terra de mitos".

A professora e escritora destacou que 14 anos de trabalho e sete bienais, passando por diversas administrações públicas diferentes mostra que a cidade abraçou e tomou mesmo para si a Bienal. "Isso é uma grande vitória para a cidade, é um programa de Estado, não de governos. Parabéns por serem tão acolhedores"

"Digo mais, se cada município do país tivesse uma Bienal o Brasil estaria Salvo", encerrou Lacombe.

 

Bienal acontece até dia 20

 

A secretaria municipal de Cultura e Turismo, Fernanda Merchid Martins, lembra ao público que as atrações da Bienal terminam no dia 20/05, próximo domingo, com show do Teatro Mágico, no Palco Central, localizado na Praça de Fátima, Centro.

Sábado, às 21h00, a atração é o ator, cantor e violeiro Jackson Antunes. "Ressaltamos que até a sexta, toda noite acontece apresentação de artista da terra, como Duda Felipe, Clara Marins e 028 Band", lembra a secretária.

A Bienal fica aberta de 08 às 22h00, oferecendo diversas oficinas, palestras, mesas de bate papo, feira de livros, estande espacial de lançamentos com presença dos autores, tendo ainda tenda para crianças, praça de alimentação e estande de algumas instituições.

Uma novidade esse ano é a presença de cosplays, pessoas fantasiadas de personagens, e um setor de Literatura Fantástica.

A representante da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Semcult) disse que até o momento as expectativas foram superadas. "Até a abertura, que era apenas um evento mais formal, atraiu centenas de pessoas e lotou o espaço da Bienal".

Até ontem, pelo menos 1200 pessoas passaram pela Bienal.

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