Ricardo só não disputa o governo se não quiser - Jornal Fato
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Ricardo só não disputa o governo se não quiser

A condição para que aceite é que o grupo se mantenha unido. Mas é justamente a ida dele para a disputa capaz de abrir a porta para tal composição de forças


A reviravolta eleitoral com a decisão do governador Paulo Hartung (MDB) colocou seu grupo político à procura de algum nome com potencial político-eleitoral para substituí-lo, manter ou até fortalecer o arranjo construído ao longo da gestão.

Um dos que despontam como favoritos, dificilmente o deputado estadual Amaro Neto vai encarar a empreitada. Ele é uma das três prioridades do PRB nacional e está muito bem posicionado na corrida pelo Senado.

Amaro, por ser popular e já ter a experiência de campanha pela Prefeitura de Vitória, é o preferido daqueles que enxergam nele o potencial eleitoral para bater de frente com Renato Casagrande (PSB).  Entretanto, não se preparou adequadamente para a missão de comandar o Espírito Santo.

Além disso, sua carreira como apresentador de televisão é ascendente, o que pode alçá-lo à grade nacional da rede Record, coisa impossível de acontecer com governador estadual.

Hartung tem evitado se posicionar publicamente, mas sua predileção é pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB), que reluta. Além do conhecimento da máquina administrativa estadual - já foi vice-governador e secretário de Agricultura - tem experiência de mandatos parlamentares em Brasília.

Uma das condições para que Ricardo aceite é que o grupo se mantenha unido em seu apoio. Mas, é justamente a ida dele para a disputa pelo governo capaz de abrir a porta para a composição mais facilitada de forças.  Com o tucano fora da eleição para o Senado, até o senador Magno Malta (PR) encontraria boa acomodação na chapa, já que dois se elegem.

Seja para o Governo, seja para o Senado, Ricardo não encontrará eleição fácil. Mas, caso alcance o intuito de juntar todas as forças ao seu redor, incluindo o PDT, que poderia entrar com a indicação do vice, suas chances crescem e, de quebra, se abre palanque forte para Ciro Gomes no Espírito Santo, principal incumbência dos pedetistas no Espírito Santo.

O PSDB tem Alckmin como seu pré-candidato, mas Hartung está livre para apoiar o candidato do PDT, se isso facilitar as coisas para o seu grupo. E facilita.

Mas, se recusar, o nome deverá mesmo ser o do vice-governador César Colnago, que, apresar de trajetória semelhante à de Ricardo, seu colega de partido, no que se refere a conhecimento da máquina estadual, não tem tanto a oferecer na composição de forças necessária para manter o grupo unido. A chance de dissolução da articulação, neste caso, é grande. Afinal, como acomodar três candidatos ao Senado se há apenas duas vagas em disputa?

De qualquer forma, o tempo urge. E a definição de um nome brevemente é imperativa para que os partidos aliados a Hartung não se sintam obrigados a procurar outro caminho.

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