Higner Mansur: em defesa de Magno Malta - Jornal Fato
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Higner Mansur: em defesa de Magno Malta

Não se desmoraliza a carreira construída por um homem pobre que, nascido no fundo do grotão baiano, sobreviveu à pobreza e à morte que se morre um pouco por dia (fome)


Coloquei o senador na balança. Num prato, seus defeitos; noutro, suas qualidades. A balança pendeu para o lado das qualidades. Pendeu decisiva - Arquivo/EBC

Como é bom ver político sem falhas, perfeito, sobre quem não pairem dúvidas. Sobre quem os olhos dos cidadãos se voltam em expressão beatífica, honrados com a representação sem deslize. Um santo. Não, felizmente não existe político assim, exatamente porque não existe cidadão assim. Pela razão simples de que os políticos que nos representam são a face pública do que somos, em média, na vida privada. Se cometem deslizes, não são esses deslizes maiores ou menores do que nós cometemos ou podemos cometer na vida privada. Provoco o leitor para examinar-se longe dos holofotes, na ausência de olhares e ouvidos. Ele e Deus; ou sozinho, se assim prefere o ateu. Esse exame, o Senador Magno Malta, em quem votei para me representar, faz agora, em via crucis...

Quando vereadores, eu e ele, convivemos fraternalmente. Não faltava nele, e não falta hoje, vontade de trilhar o caminho reto; naquele tempo menor ele não falhou. Quem é fiel no pouco, como ele foi, será no muito, e ele é. É preciso separar joio e trigo, é preciso não se encantar ao primeiro canto, é preciso dar oportunidade a quem sempre agiu com correção, de provar sua verdade. Não se desmoraliza a carreira construída por um homem pobre que, nascido no fundo do grotão baiano, sobreviveu à pobreza e à morte que se morre um pouco por dia (fome). E sobrevivendo contra as possibilidades, arrancar-se do chão, chegar ao maior posto legislativo, traçando carreira brilhante, como nunca se viu entre nós. Isso dói em muita gente.

Críticas ao senador, temos, mas a outros as temos maiores. Não cometo pusilanimidade de transformar críticas em algo tão poderoso que faça ver no senador a imagem dos maus políticos bem nascidos, que têm como qualidade única, se é qualidade, o ser bem nascido. Coloquei o senador na balança. Num prato, seus defeitos; noutro, suas qualidades. A balança pendeu para o lado das qualidades. Pendeu decisiva.

Convido o leitor a fingir que nasceu num lar pobre (se é que realmente não nasceu). Que, por isso, quase morreu; que construiu uma carreira política meteórica, só com voz e pertinácia; convido o leitor, a partir dessa perspectiva quase nula, tentar construir carreira com os poucos defeitos e as muitas qualidades de Magno. E com muita coragem. E depois de atravessar o deserto, pergunte o leitor a si mesmo: terei feito o mesmo que Magno fez? Teria chegado até onde chegou Magno Malta, com tão poucos pecados? Muitos não chegariam. Eu mesmo não sei de mim. Muitos dos que admiro não chegaram. Pela história construída com as próprias mãos, não sem choro e não sem suor, confio em Magno Malta. Não jogo e não tenho motivos para jogar pedras nele. Tem motivos o leitor? São perguntas, é reflexão. (Crônica escrita em 09 agosto de 2006, com adaptações, não essenciais, para o tempo de hoje. Não tenho porque mudar agora. Independente de atuação política, continuo não tendo motivos para jogar pedra nele, só porque perdeu a eleição).

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