Lava Jato SP tem operação em Marataízes e Itapemirim - Jornal Fato
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Lava Jato SP tem operação em Marataízes e Itapemirim

De acordo com a Polícia Federal, nos municípios capixabas foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão


Operação foi realizada em pontos de Marataízes e Itapemirim - Whatsapp

 

Redação

 

Os municípios de Itapemirim e Marataízes, no sul do Espírito Santo, entraram na rota da operação Lava Jato de São Paulo. Nesta quinta-feira, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a etapa Pedra no Caminho para apurar desvio de recursos públicos nas obras do trecho norte do Rodoanel, em São Paulo.

De acordo com a Polícia Federal, nos municípios capixabas foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Marataízes, e outro, em Itapemirim. Entretanto, não foram repassados detalhes, pois as investigações prosseguem sob segredo de Justiça.

Entre os endereços visitados pelos agentes da Polícia Federal estão o escritório da empresa Barrafish Comércio de Pescados e a residência de um dos sócios, o empresário Aíde Sad Júnior.

Tanto a empresa, quanto o empresário, não são alvos da operação, segundo explicou o advogado Edmilson Gariolli. O objetivo dos agentes é recolher documentos para apurar a compra de um terreno feita pelo empresário há três anos cujo ex-dono é um dos investigados na operação.

Na ocasião, explicou Gariolli, a compra foi feita por intermédio de um corretor de imóveis e o empresário capixaba sequer conhecia o dono da propriedade. "Não foi uma compra fictícia ou de fachada. Ele passou o imóvel para seu nome, declarou no imposto de renda. Foi uma operação real", afirmou.

 

 

São Paulo

 

A maior parte das ações, no entanto, se desenrolou no estado paulistano. Os agentes portavam, no total, 15 mandados de prisão temporária e 51 mandados de busca e apreensão também na capital paulista e nas cidades de Carapicuíba, Arujá, Bofete, Ribeirão Preto e São Pedro. Os desvios foram estimados em mais de R$ 600 milhões.

Foram presos, temporariamente 14 suspeitos de envolvimento em desvios de recursos públicos nas obras do trecho norte do Rodoanel, em São Paulo. Entre eles, Laurence Casagrande Lourenço, ex-presidente da Dersa, que é a empresa do governo estadual que atua na construção de rodovias, além de pessoas ligadas às empreiteiras envolvidas. Atualmente, Lourenço preside a Companhia Energética de São Paulo (Cesp).

O inquérito policial foi instaurado em 2016, após denúncia de um ex-funcionário de uma empresa que atuou nas obras. Ele apontou manipulações em termos aditivos ao contrato, com objetivo de aumentar o valor pago às empreiteiras.

Os aditivos contratuais, na fase de terraplanagem, eram para a remoção de rochas, mesmo que o projeto inicial já contemplasse o custo dessa remoção. A irregularidade gerou sobre-preço de mais de R$ 131 milhões.

Segundo perícia da Polícia Federal e relatórios do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União, um dos cinco lotes onde houve aditivos para a remoção de rochas teve sobrepreço de R$ 33 milhões.

Os acusados vão responder pelos crimes de fraude à licitação, estelionato contra o poder público, falsidade ideológica e associação criminosa, conforme as suas participações. Os presos permanecerão na sede da PF em São Paulo, à disposição da Justiça Federal.

 

 

Dersa e OAS

 

Em nota, a Dersa informou que a empresa e o governo de São Paulo são os maiores interessados no andamento do processo. "Havendo qualquer eventual prejuízo ao erário público, o Estado adotará as medidas cabíveis, como já agiu em outras ocasiões", disse.

A OAS esclareceu, também em nota, que os atuais gestores da construtora têm prestado às autoridades todos os esclarecimentos a respeito de atividades e contratos sobre os quais haja questionamentos - no projeto do Rodoanel em particular e em todos os outros que realiza.

O ex-governador Geraldo Alckmin informou que apoia as investigações e que todas as informações solicitadas foram prestadas pela Dersa ao Tribunal de Contas da União (TCU), que ainda não julgou o caso.

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