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Ordo AB Chao

No princípio havia somente a total ausência de ordem. Tudo era então um vazio primordial, informe, indefinido e ilimitado


No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: "Faça-se a luz", e a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Gênesis 1, 1-4.

No princípio havia somente a total ausência de ordem. Tudo era então um vazio primordial, informe, indefinido e ilimitado; o caos reinava eterno e absoluto; as trevas, a escuridão total dominava. Até que Deus iniciou a feitura do universo e moldou a criação conforme a Sua vontade, de acordo com os versículos iniciais da Bíblia.

Ao longo da história da humanidade este ciclo - caos, ordem; anarquia, organização - foi-se repetindo. Disputas e guerras tribais, cidades destruindo-se mutuamente, reinos mais fortes vencendo e dominando os mais fracos. Impérios e civilizações outrora poderosos e invencíveis curvando-se perante conquistadores até então desconhecidos e impiedosos. Os mais capazes submetendo os demais. Populações sublevando-se contra governos despóticos, os fracos fazendo-se fortes pela força de seus princípios e de sua união. Ação e reação.

Aqui mesmo no Brasil já houve diversas revoltas, sendo as mais conhecidas a Conjuração Baiana, a Inconfidência Mineira, a Guerra dos Mascates, a Revolução Farroupilha e a Guerra dos Canudos - esta, de caráter messiânico - o Movimento Tenentista. Todos eles de origens, lugares e épocas diferentes, mas que possuem uma coisa em comum: desmistificam a teoria de que o povo brasileiro é um povo de índole pacífica e ordeira.

Hoje, 31 de maio de 2018, fazem onze dias que os caminhoneiros iniciaram sua manifestação que praticamente paralisou o país, sem exagero. E somente hoje a distribuição de combustíveis, remédios, alimentos, tudo enfim, começa a se normalizar. Mesmo assim, foi necessário o uso da manu militari do Estado para que isso acontecesse. Sim, porque nosso poder executivo federal não soube negociar com os manifestantes da maneira adequada; ao contrário, virou uma pobre marionete nas mãos dos líderes do movimento.

Aliás, esse mesmo governo ignorou os sinais que os caminhoneiros emitiam desde novembro do ano passado e até mesmo um aviso explícito dirigido a toda a sociedade, uma semana antes do início do movimento. E ainda teve a cara de pau de dizer que não foi pego de surpresa. Ora, se não foi pego de surpresa - o que seria negligência, por ignorar os sinais evidentes da revolta - ele foi conivente com o movimento, pois sabia com antecedência o que poderia vir a acontecer - e não adotou qualquer medida preventiva. Pelo contrário, apostou que saberia lidar com a situação e, quem sabe, auferir dividendos políticos para a já cambaleante figura de nosso presidente da República.

Uma coisa é certa, nobre leitor, e para enxerga-la basta ter olhos. Nossa sociedade encontra-se à beira do caos, nossos valores são corrompidos todos os dias, há uma completa inversão do que é certo ou errado. As pessoas de boa vontade estão se cansando disso e, mais cedo ou mais tarde, hão de fazer o que o Estado deveria ter feito há muito.


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