Todas as emoções de Acacio Frauches - Jornal Fato
Festa de Cachoeiro

Todas as emoções de Acacio Frauches


 

O título de Cachoeirense Ausente Nº 1 foi criado no fim da década de 1930, pelo poeta e jornalista Newton Braga, como forma de homenagear os conterrâneos que não viviam mais no município, mas que mantinham vínculos afetivos com a terra natal, orgulhosos da imposição do destino.  

                 

Mais um artista acaba de entrar para o seleto rol de homenageados, que contempla nomes de destaque em profissões variadas. Trata-se de Acacio Moraes Frauches, nascido na "Capital Secreta" em 25 de abril de 1961, na Rua Coronel Alziro Viana, no Aquidaban, filho de José Frauches da Silva (que dá nome a escadaria no bairro) e Maria José Moraes Silva.  

 

Ele é ator, diretor de teatro, diretor de shows musicais, diretor de televisão, trabalhou nas TVs Manchete, Globo, e Bandeirantes. Se junta aos célebres cachoeirenses no ramo Jece Valadão e Carlos Imperial, que receberam a honraria em 1971 e em 1973, respectivamente. 

 

Atualmente, tem sucesso na carreira de empresário, à frente da firma Mix Gigante, baseada em São Paulo, em um município que faz parte da Região Metropolitana de Campinas, chamado Indaiatuba. Produz cenografia para hospitais infantis, escolas infantis, brinquedoteca, parques temáticos, tanto no Brasil como no exterior: está iniciando a produção de obras nos Estados Unidos. 

 

"Moro hoje numa cidade do tamanho de Cachoeiro, ao lado do Aeroporto Internacional de Viracopos. Sou casado com Fabiana Rato, e tenho uma filha, uma menina linda chamada Elis Frauches Moraes Rato, de oito anos", conta Acacio.

 

Na seguinte entrevista, entre outros assuntos, o Cachoeirense Ausente de 2017 fala sobre os laços com a terra natal, suas recordações, e da emoção provocada pela homenagem. 

                  

Seria possível expressar em palavras o que está sentindo?

 

Não é possível expressar em palavras. Continuo extremamente emocionado, feliz, contente... Eu só tenho como agradecer, vou passar a vida toda agradecendo.

 

Foi um choque quando eu recebi a ideia de que seria indicado e foi um choque ainda muito maior quando recebi a informação de meus amigos que havia sido eleito. A ficha demorou a cair, porque eu ficava lembrando da minha infância, de como isso (a concessão do título) foi importante dentro da cultura de Cachoeiro. Ficava me perguntando se eu era merecedor de tamanha honraria. Isso era uma coisa que ficava na minha cabeça durante o dia. Eu chorava, recebia ligação de amigos de todos os cantos. Vou passar a vida toda sendo um Cachoeirense Ausente. Acho que, de todos os títulos que eu conquistei na vida, esse foi o que mais me emocionou. É uma coisa que envolve família, envolve amigos, envolve adolescência, infância, envolve tantas coisas... que realmente não dá para descrever em palavras. Sou hoje um homem extremamente feliz e honrado, com muito orgulho de ter esse título na minha vida.  

 

 

Algumas de suas principais lembranças da época da infância e adolescência em Cachoeiro...

 

Meu pai tinha uma loja de sapatos, Depósito de Calçados Frauches, que ficava em frente à estação da Leopoldina, no centro da cidade.

 

Lembro muito do Jardim de Infância, onde eu estudei, ali na praça. Tenho boas lembranças daquela época, eu era muito pequeno, tinha cinco, seis anos. Depois, estudei no Bernardino Monteiro, tenho poucas lembranças do Bernardino, dessa época. Mas tenho muitas lembranças, depois, do Polivalente. O Polivalente foi uma época que eu estava jogando futebol, fui jogar bola no infantil do Estrela. Eu também jogava basquete pelo Polivalente, participava de vários campeonatos. Minhas principais lembranças estão relacionadas ao Polivalente, com o Estrela, do qual eu sou torcedor até hoje... estão relacionadas com o basquete, que eu também aprendi a amar nessa época. Tive um grande técnico, que foi o professor Toniato, do Polivalente. E o José Américo Mignone, também Cachoeirense Ausente (em 2005). Ele que me treinava, pois eu era da turma do Alexandre, filho dele. José Américo fazia questão de ir também para o ginásio. Ficávamos do outro lado, só eu e ele, treinando. Pois ele achava que eu tinha tamanho, que tinha futuro jogando basquete (os amigos conterrâneos apelidaram Acacio de "gigante" por causa da estatura avantajada).

 

Essas são as maiores lembranças que tenho. Logo depois eu saí de Cachoeiro, com 16 anos. Estava entrando na adolescência. Fui criança, criança... adolescente, adolescente... eu vivi muito a minha idade. Era um menino muito humilde, muito simples, quando saí de Cachoeiro. Tinha sonhos, tinha vontade de alçar voos, mas era muito humilde, muito simples...

 

Em quais escolas estudou?

 

No Jardim de Infância, no Bernardino Monteiro até a quarta série primária. Da quinta à oitava, no Polivalente do Guandu. E o primeiro e o segundo ano do Científico, fiz no Momento II. Depois, fui para Vitória fazer cursinho. Dali, para o Rio de Janeiro. Fiz vestibular e fui estudar, fui fazer a minha vida lá. Me formei em Publicidade, mas nunca exerci a profissão. No meio da faculdade, comecei a fazer curso de teatro, comecei a fazer teatro e televisão e larguei minha formação de publicitário.

 

Percebe muita diferença entre o sistema de ensino vigente nas décadas de 1960 e 1970 e o atual?

 

Na época, o Polivalente era uma escola com ensino de alto padrão, uma experiência do governo federal em várias cidades do Brasil. Inclusive, em Cachoeiro havia três: Polivalente do Aquidaban, do Coronel Borges e do Guandu. Tínhamos um ensino de excelência, totalmente de excelência, acho que o ensino daquela época tinha uma qualidade muito diferenciada mesmo. Era muito melhor, sem dúvida. A qualidade, a formação dos professores, a formação da escola... era uma coisa de primeiro mundo. O Polivalente era uma escola de primeiro mundo. Poderia estar em qualquer país, pela qualidade dos professores, pela qualidade do ensino. Obviamente, esse tipo de ensino não existe mais, seja em Cachoeiro, seja em São Paulo ou no Rio de Janeiro.

 

Recorda-se das atividades culturais? Dos eventos?

 

Saí muito cedo de Cachoeiro. Eu participava das coisas que eram mais da minha idade, coisas que eu tive a oportunidade. Lembro das bandas musicais: Os Legionários, tinha o Vox Populi, o Conjunto 007... essas bandas que faziam sucesso na época. Mas não era uma época de efervescência cultural. Ao mesmo tempo era a época que grandes artistas de Cachoeiro faziam sucesso. É o caso de Sérgio Sampaio. Já curtia Sérgio Sampaio nessa época. Lembro de outros artistas, como Jece Valadão, Carlos Imperial... não me lembro se era um ou outro, mas de estar no dia em que um deles ganhou prêmio na Praça Jerônimo Monteiro. Eu tinha uns 13 anos no máximo, fiquei extremamente emocionado em ver, isso era 1972, 1973... recordo dessa festa na praça.

 

"As emoções transbordam no meu coração"

 

Também me lembro de uma coisa muito bacana: na época o Capitão Aza era o grande astro infantil... meu grande ídolo era o Capitão Aza, eu sempre me lembrava dessa história. Eu estava subindo o morro do (Colégio Jesus) Cristo Rei, e lá em cima era onde acontecia a Festa de Cachoeiro, a antiga feira agropecuária. Eu estava subindo, um tumulto danado, não sabia o porquê. E, de repente, fico de frente, no meio daquela rua, mas de frente mesmo, com ele. Porque eles estavam levando o Capitão Aza para fazer um show no parque de exposições. Eu era pequeno, um moleque de 12 anos. Ele, grandão. Nunca esqueci isso, tempos depois eu fui trabalhar com grandes artistas da área infantil. Trabalhei com a Angélica durante quatro anos, trabalhei com o Balão Mágico durante uns três anos, com a Simony, fui diretor dessa turma toda. Dirigi as Chiquititas. Trabalhei na Bandeirantes, em São Paulo, durante um ano na TV Criança. Eu era assistente de diretor, fazia parte do elenco, então trabalhei com muitos artistas renomados na área infantil e sempre me lembrava dessa história. Várias vezes na minha vida eu contei isso, inclusive em reportagens.

 

Quais artistas da terra mais o marcaram?

 

Todo mundo é apaixonado pelo Rei. Nosso eterno artista.

 

Vai ser lembrado daqui a mil anos, pela sua grandiosidade. Não tenho nem o que falar do Roberto Carlos. Do Sérgio Sampaio, também... um artista que sempre gostei muito de ver, muito de ouvir, acompanhei algumas partes da vida profissional. São os dois, obviamente, que mais marcaram para mim. Sou um fã enorme de outros artistas que Cachoeiro possui, adoro todos. Alguns eu tive a oportunidade de conhecer um pouco mais. E também de artistas que não são tão famosos, que fizeram sua vida fora.

 

Mantém contato com amigos cachoeirenses?

 

Sempre, sempre, sempre... Tem uma história muito bacana: há cerca de três anos, perdi minha mãe. Fui a Cachoeiro para o velório, lembro de ter falado para minha esposa que o meu contato com Cachoeiro havia terminado ali. Porque tinha perdido meu pai, tinha perdido minha mãe. Eu, em Cachoeiro, tinha poucos familiares... Um irmão, que eu via mais no Rio, porque hoje minha família quase toda está no Rio de Janeiro. E fui embora... logo depois, veio o Facebook, veio o WhatsApp. A gente começou a achar todos os nossos amigos novamente. Hoje, eu frequento Cachoeiro com grande assiduidade, eu falo com meus amigos de Cachoeiro todos os dias praticamente, conheço todos os lugares, barzinhos bacanas, lugares legais... Tenho muito contato com esses meus amigos. Inclusive, agradeço a eles o fato de ter sido escolhido o Cachoeirense Ausente. Foi com a campanha deles, com o voto deles, que tenho essa honraria tão imensa, tão grande, que vou levar para a vida toda.   

 

 

Acompanha pela imprensa os acontecimentos na cidade?

 

Sim, eu acompanho as notícias através dos meus amigos e através da imprensa. Temos a possibilidade hoje, com a internet, de ver isso tudo. Acompanho, por exemplo, o Wigner Mansur, vereador de Cachoeiro de quem gosto muito. Apesar de não conhecê-lo pessoalmente, tenho muito carinho, acompanho o trabalho dele. Sempre estou lendo coisas referentes a Cachoeiro, sobre o momento particular que Cachoeiro está enfrentando. Que é uma coisa que não é só de Cachoeiro, que o Brasil inteiro está enfrentando. Algumas cidades, um pouco mais; outras, um pouco menos. Aqueles acontecimentos lamentáveis quando houve a greve da polícia... estávamos todos os dias olhando. Pela internet acompanhamos e, inclusive, pelo jornal ES de FATO, que também acompanho, acompanho mesmo... se perguntar para mim: como foi o Estrela na Série B do Campeonato Capixaba? Eu te conto tudo. Por que não se classificou, quem era o técnico... Eu sei quem eram os principais jogadores, acompanho o problema que teve de segurança pública. Eu sei da banda que vai inaugurar agora a sede nova, a Lira de Ouro...

 

E, por fim, poderia falar sobre o retorno a Cachoeiro como o "Ausente Nº 1"?

 

 Como é um ritual antigo dos cachoeirenses ausentes, essa entrada apoteótica na cidade me emocionou muito, passou um filme da minha vida toda. Não foi fácil chegar, não foi fácil conquistar, não foi fácil ter. É muito difícil a carreira que escolhi, é uma carreira ingrata. E você conseguir ter destaque, conseguir ter um retorno de prêmios, de elogios, de tudo o que aconteceu na minha vida nos últimos tempos... eu ter esse título de Cachoeirense Ausente, só posso dizer que não dá para descrever. Não tem como não ficar emocionado ao falar essas coisas (voz embargada). Eu chego com o coração aberto, com a alma lavada, querendo abraçar todo mundo, querendo ver todo mundo, participar de tudo, curtir cada segundo desse momento. Quero voltar de Cachoeiro me sentindo a pessoa mais feliz do mundo, porque eu tenho o que é de mais rico nessa vida, que são os meus amigos, que é a minha família, a minha esposa, tudo de bom na vida que eu conquistei. Quero comemorar, quero cantar, quero tudo, porque é uma coisa única que estou vivendo, um sentimento que vou levar para o resto da minha vida. Isso vai ser um divisor de águas na minha vida. Essas emoções... acho que vão transbordar no meu coração. Estou aproveitando essa entrevista para agradecer a cada um que torceu, que curtiu, a todos os meus amigos, ao meu Polivalente, ao meu grupo de amigos, que me abraçou, que me botou lá dentro. Quero agradecer também à minha esposa, que foi incansável, a todos da imprensa, pelo carinho. Eu só posso dizer uma coisa, pelo resto da vida: obrigado, obrigado, obrigado...

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